sábado, 26 de março de 2011

Solução ambiental na piscicultura vira negócio

Fonte: Jailson Silva

O óleo é extraído a partir das vísceras de peixe

Empreendimentos, com até dois anos de criação, têm através do Programa Primeira Empresa Inovadora – PRIME a chance de mostrar a sociedade os benefícios de seus produtos e serviços. Como acontece com o empreendedor e pesquisador cearense André de Freitas Siqueira que celebrou contrato junto ao PRIME e Fundação Parque Tecnológico da Paraíba, na cidade de Campina Grande/PB. Os recursos, oriundos da FINEP, possibilita a continuidade dos trabalhos realizado pela empresa Piscis, recém criada por Siqueira, que vem desenvolvendo um produto inovador: o óleo de vísceras da tilápia.

O óleo é destinado para uso como insumo na fabricação de rações balanceadas, podendo ainda ser utilizado para produção de biocombustível e fabricação de sabão.

Os recursos são destinados a empresas inovadoras de base tecnológica, de até dois anos, e que estejam formalmente legalizadas, como é o caso da Empresa Piscis – administrada por Siqueira. Para se ter uma ideia foram injetados cerca de R$ 11,7 milhões, à 98 empresas finalistas. Cada empresa receberá no total R$ 120 mil em recursos não-reembolsáveis, ou seja, que não precisam ser devolvidos.

Além da Paraíba, as empresas que assinaram os contratos para receber repasse direto de R$120 mil (para o primeiro ano de operação), após processo de contratação junto ao Prime, estão localizadas em Alagoas, Rio Grande de Norte, Bahia, Rio de Janeiro e Ceará.

O repasse será em duas parcelas, a primeira no valor de R$ 60 mil, foi conquistada após a instalação da empresa, no município cearense de Jaguaribara, que vem ajudando aos piscicultores da região a encontrar uma solução mais adequada para o destino das vísceras, preservando o meio ambiente.

Antes da Piscis, as vísceras eram jogadas às margens do açude Castanhão, enterradas, ou não se tinha um destino apropriado. Atualmente, a Empresa possui postos de coleta distribuídos pelos grupos de piscicultores, onde são depositadas as vísceras. “Na sede, da Piscis o insumo básico é processado de onde é extraído o óleo e os resíduos são utilizados na produção de composto orgânico” explica o empreendedor André Siqueira.

Ainda de acordo com ele, “estão sendo dedicados esforços para identificação de outros benefícios e aplicações para o óleo de tilápia e seus co-produtos, visando a geração de novos negócios na região para a população”, afirma o pesquisador que está cursando doutorado em Biotecnologia pela Renorbio – Rede Nordeste de Biotecnologia, inclusive, tem este projeto como tema de sua tese.

A próxima etapa prevista para maio de 2010, com a avaliação dos primeiros seis meses, onde será decidido pela liberação ou não, da segunda parcela, também no valor de R$ 60 mil. Além disso, a empresa contará ainda com recursos da ordem de R$ 120 mil reembolsáveis através do Programa Juros Zero da FINEP, que será aportado na empresa após a aplicação dos recursos do Programa PRIME.

Pesquisa

A pesquisa que trata do aproveitamento econômico das vísceras da tilápia – que representa 10 a 11% do peso vivo do animal, estes resíduos causam um sério problema aos piscicultores e um grave impacto ambiental – se transformou em negócio com a formalização da empresa Piscis, que atua nas coletas e no processamento destes resíduos para produção de óleo de vísceras de tilápia e composto orgânico enriquecido com água residual do processo.

O projeto tem atuado junto aos piscicultores de Jaguaribara, (município onde esta localizado o maior açude do Ceará com capacidade de 6,7 bilhões de metros cúbicos) deste setembro de 2008, coletando cerca de 4000 kg de vísceras por mês. Esta parceria tem rendido benefícios mútuos, onde ganham os produtores por ter solução para o destino das vísceras, ganha a empresa Picis , por ter mantido o fornecimento do seu insumo básico, e ganha o meio ambiente que se mantém preservado, além de gerar emprego e renda para a Região.

Entenda o Prime

Trata-se de um programa inovador recém criado pela FINEP para apoiar empresas nascentes inovadoras no Brasil. Para isso, são consideradas elegíveis empresas de ZERO a 24 meses de existência cujos projetos possuam alguma inovação (produto, processo, organizacional, marketing) que operem alguma transformação de conhecimento.

Pela primeira vez na história, 6 mil e 480 empresas inovadoras podem ser beneficiadas com Editais em 2008, 2009 e 2010. Serão R$ 780 milhões em operações com o kit PRIME, totalizando a cifra de R$ 1,56 bilhões de investimentos em empresas inovadoras nos próximos cinco anos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cientistas apresentam avanços da química supramolecular

Fonte: Site Inovação Tcnológica

Um pó que ao ser derramado sobre água é capaz de decompor um líquido sob a ação da luz e liberar energia. O exemplo de geração de energia é um dos objetivos da química supramolecular, área que investiga as interações entre as moléculas.

"Queremos usar energia química a partir do Sol, e a química supramolecular pode ajudar nesse sentido", disse Henrique Toma, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP),

Toma apresentou seus estudos em uma palestra durante o evento Simpósio sobre Mecanismos Moleculares e Fotossíntese, realizado na semana passada em São Paulo.

Química supramolecular

Segundo Toma, a química supramolecular permite a síntese de átomos e moléculas que formam estruturas maiores. Essas, por sua vez, ao serem combinadas dão origem a peças, mas tudo ainda na escala nanométrica - 1 nanômetro equivale a 1 bilionésimo do metro.

Nanotubos, nanoporos e nanofilmes são algumas das possibilidades. Um exemplo de aplicação são as células fotovoltaicas de terceira geração, chamadas celulas solares orgânicas, ou DSC ("Dye-sensitized Solar Cells" - células solares sensibilizadas por corante).

Essas células solares são finas, flexíveis e transparentes, aumentando a versatilidade de aplicações desse tipo de receptor de energia.

A química supramolecular ainda pode ajudar a aperfeiçoar os sistemas existentes. "Podemos criar estruturas que aumentem a condutividade e reduzam a corrosão, por exemplo", disse Toma.

Outro ponto a ser desenvolvido é a ampliação do espectro de luz solar absorvido para a produção de energia, "A maior parte dos comprimentos de onda está em uma faixa que ainda não é utilizada", disse.

Torres para captura de amostras de ar

O modo como as alterações climáticas mundiais afetam as plantações voltadas à produção de bioenergia esteve entre os tópicos da conferência de Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da USP, que apresentou trabalhos desenvolvidos por grupos de pesquisa ligados ao BIOEN-FAPESP, programa do qual é um dos coordenadores.

"Experimentos indicaram que o aumento na temperatura e na concentração de dióxido de carbono na atmosfera terrestre elevam muito o processo de fotossíntese na cana-de-açúcar e aumentam a biomassa da planta em cerca de 60%", disse.

Os pesquisadores descobriram por meio da técnica de DNA microarray que essas mudanças ambientais alteram genes associados à captura de luz. Outra descoberta foi que cerca de 70 proteínas da cana-de-açúcar, de um total de 160, são alteradas em ambientes com maior concentração de dióxido de carbono - veja Cientistas querem melhorar artificialmente fotossíntese da cana-de-açúcar.

Buckeridge também apresentou um trabalho sobre o miscanto, gramínea que tem sido utilizada na produção de energia em regiões de clima temperado no Canadá, nos Estados Unidos e na Europa.

"O miscanto tem menos sacarose do que a cana-de-açúcar, porém é mais resistente ao frio, o que o torna interessante para a produção de bioenergia no sul do Brasil, no Uruguai e na Argentina, por exemplo", disse Buckeridge. A planta resiste a temperaturas inferiores a 14º C.

Buckeridge e colegas vão trocar informações com cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sobre a concentração de carbono nos dois países. Torres para captura de amostras de ar serão construídas nos campi do Instituto Agronômico em Ribeirão Preto e em Campinas.

Os dados coletados farão parte do experimento SoyFACE, de enriquecimento de concentração ao ar livre aplicado à soja, feito pela universidade norte-americana com o objetivo de analisar os efeitos das mudanças climáticas sobre as plantações.

"As torres permitirão comparar esses efeitos sobre as espécies de miscanto nos dois hemisférios", disse Buckeridge.

O movimento das moléculas

Munir Skaf, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas, apresentou uma técnica de simulação dinâmica biomolecular que tem-se mostrado importante para novas descobertas em química e em biologia.

"As simulações dinâmicas moleculares são uma poderosa ferramenta para estudar os movimentos atômicos. Entender a interação atômica das moléculas é a chave para desvendar a dinâmica das proteínas e, com isso, compreender como a estrutura proteica se relaciona com as funções biológicas", disse.

Skaf explicou o funcionamento das simulações e de que modo elas têm sido úteis para entender, por exemplo, como os hormônios se ligam aos receptores nucleares e como se desligam deles. Esses receptores são proteínas no interior da célula que reconhecem os hormônios.

"São estruturas importantes e relacionadas a diversos processos, do tipo diferenciação celular, metabolismo e desenvolvimento de diabetes e de alguns tipos de cânceres", apontou.

Na área de bioenergia, as simulações dinâmicas moleculares podem auxiliar na produção de etanol celulósico ao permitir o desenvolvimento de coquetéis enzimáticos capazes de executar uma hidrólise economicamente viável, disse.

Para Skaf, a técnica também será capaz de trazer descobertas imprevisíveis. "Além de desvendar a estrutura das proteínas, as simulações dinâmicas moleculares podem revelar funções desempenhadas por elas das quais ainda nem suspeitamos", afirmou.