sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Consumidores não dão atenção à tabela nutricional dos alimentos

Fonte: Diário da Saúde

Falar e fazer

As tabelas nutricionais impressas nas embalagens de alimentos não são levadas tão a sério pelos consumidores como se imaginava.

Uma pesquisa comparou o que os consumidores dizem sobre ler as tabelas nutricionais e o que eles realmente leem.

Para isso, cientistas da Universidade de Minnesota (EUA) usaram equipamentos especiais para rastrear onde os olhos dos consumidores estavam focados ao olhar a embalagem dos alimentos.

A seguir, eles foram entrevistados e relataram o quanto achavam importante as tabelas nutricionais e o quanto eles haviam lido.

Mas os resultados não coincidiram.

Atenção finita

Os consumidores afirmam ler muito mais a tabela nutricional do que realmente o fazem.

A leitura objetiva foi determinada usando um aparelho de rastreamento dos olhos.

A conclusão é que, quando o consumidor olha para a tabela nutricional, ele olha principalmente para o seu centro, o que significa que ele lê os primeiros itens e interrompe a leitura antes de chegar ao final da tabela.

"Os resultados mostram que os consumidores têm uma faixa de atenção finita para as tabelas de informação nutricional: embora a maioria dos consumidores tenha olhado para as tabelas, muito poucos olharam todos os itens da tabela," afirmam Dan Graham, e Robert Jeffrey.

Informações mais importantes da tabela nutricional

Enquanto 31% dos consumidores afirmaram ler as informações sobre conteúdo de gordura, o aparelho revelou que apenas 9% deles realmente fazem isso.

Apenas 1% dos participantes da pesquisa consultou os itens mais importantes na tabela - gordura total, gorduras trans, açúcar e tamanho da porção.

Mas a disposição da tabela na embalagem também ajuda: as tabelas nutricionais foram lidas em 61% das vezes quando elas estavam na parte frontal da embalagem, contra 34% quando estavam nas laterais.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Alerta sobre transgênicos: vegetais alteram genes humanos

Fonte: Diario da Saúde

Novidade para a ciênciaA descoberta abre caminho para o uso terapêutico de alimentos, mas também acende todos os sinais de alerta com relação aos alimentos transgênicos, que podem alterar a expressão genética de seres humanos.[Imagem: Eric Hunt/Wikipedia]

Considere a couve-de-bruxelas: pequena, despretensiosa e aparentemente boa para sua saúde.

Pois saiba que, no seu prato, ela merece bem mais do que um lugar de coadjuvante. Ela e boa parte dessa família de vegetais.

Um novo estudo sugere que este minúsculo membro da família do repolho - juntamente com arroz, brócolis e, possivelmente, todas as plantas que você come - altera o comportamento de seus genes de formas que são totalmente novas para a ciência.

Além da importância para a alimentação e a prevenção de doenças, a descoberta tem um impacto direto sobre os alimentos geneticamente modificados.

Material genético das plantas

Naquela que é a mais forte evidência de que o material genético dos alimentos sobrevive à digestão e circula pelo corpo, fragmentos de RNA de plantas foram encontrados circulando na corrente sanguínea de pessoas, de camundongos e de vacas.

Além do mais, o estudo de Chen-Yu Zhang e seus colegas da Universidade de Nanjing, na China, mostra que os RNAs de algumas dessas plantas alteram a expressão gênica, afetando um componente bem-conhecido da saúde: eles elevam os níveis de colesterol em camundongos.

A notícia é fundamentalmente muito boa.

A descoberta cria uma nova maneira de transformar alimentos em medicamentos: poderemos ser capazes de selecionar plantas que alteram nossos genes para nos fazer bem.

MicroRNAs

O material genético em questão é o microRNA - pequenas fitas de RNA, com algo entre 19 e 24 "letras" (nucleotídeos) de comprimento.

Os microRNAs são encontrados em quase todas as células que possuem núcleo, e viajam de célula em célula no sangue.

Zhang e seus colegas se perguntaram se todas as fitas de miRNA em nosso sangue são feitas por nossas células - ou se algumas vêm da nossa comida.

Os experimentos com sangue humano mostraram que dois microRNAs estavam presentes em concentrações particularmente elevadas: MIR168a e MIR156a - e eles são abundantes no arroz e em membros da família Brassicaceae, que inclui couve-de-bruxelas, brócolis, repolho e couve-flor.

Surpreendentemente, Zhang encontrou MIR168a e MIR156a no fígado, intestino delgado e pulmões de camundongos.

Dada a importância do arroz na dieta dos chineses - aliado ao fato de que o cozimento não destrói os miRNAs das plantas - Zhang concluiu que proporção tão elevada dos miRNAs encontrados no sangue humano só poderia ter uma origem: os alimentos.

mRNA de planta altera expressão genética

Em uma série de experimentos, os pesquisadores descobriram que o MIR168a não apenas sobrevive em células animais, mas também que ele pode alterar a expressão genética.

Juntas, as evidências sugerem que, em camundongos pelo menos, o MIR168a do arroz sobrevive à digestão, inibe a produção de uma proteína e aumenta os níveis de colesterol no sangue.

Simplificando, um miRNA de uma planta é capaz de elevar os níveis de colesterol em camundongos.

O próximo passo, naturalmente, será confirmar esses efeitos adicionais em seres humanos.

Mas a descoberta já acendeu uma luz de alerta em uma outra área: no nascente campo dos alimentos geneticamente modificados.

Feijoada que altera genes?

Há poucos dias, o Brasil se tornou pioneiro no mundo ao liberar uma variedade de feijão transgênico para consumo humano.

A revista Nature publicou uma reportagem que não toma partido na questão, mas que levanta as diversas preocupações sobre o consumo humano justamente de um alimento tão importante na dieta, como o feijão é no Brasil.

Os criadores e defensores do feijão transgênico argumentam justamente que o alimento geneticamente modificado não produz "proteínas estranhas", mas tão-somente microRNAs para atacar o vírus.

E, acrescentam eles, "não há evidências de que esse armamento molecular seja perigoso para os humanos."

Não havia, porque agora a pesquisa do Dr. Zhang mostra uma participação dos RNAs dos alimentos no organismo humano em uma intensidade que nem os mais severos críticos dos alimentos transgênicos sonhavam.

Preocupação séria

Enquanto estudos anteriores não ofereceram indícios de que os genes geneticamente modificados dos alimentos alterem a fisiologia humana, o estudo de Zhang sugere que todas as plantas que comemos modificam nossa expressão genética durante o tempo que continuarmos nos alimentando delas.

Uma questão extremamente séria.

E deve-se levar em conta que os estudos anteriores nunca pesquisaram uma situação na qual um alimento geneticamente modificado será consumido diariamente por uma população, eventualmente ao longo de toda a sua vida, como será o caso do feijão no Brasil.

Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo

Fonte: Inovacao Tecnologica

Este gráfico mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.[Imagem: Vitali et al.]

Além das ideologias

Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.

Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.

A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça.

Brasil precisa da Engenharia de Sistemas Complexos


Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.

"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."

Rede de controle econômico mundial

A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.

O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.

Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.

O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.

A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Poder econômico mundial

Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.

Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.

Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.

E isso não é tudo.

Super-entidade econômica

Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.

"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.

E a maioria delas são bancos.

Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.

Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.

Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.

A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.

Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.

As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas
 
Barclays plc
Capital Group Companies Inc
FMR Corporation
AXA
State Street Corporation
JP Morgan Chase & Co
Legal & General Group plc
Vanguard Group Inc
UBS AG
Merrill Lynch & Co Inc
Wellington Management Co LLP
Deutsche Bank AG
Franklin Resources Inc
Credit Suisse Group
Walton Enterprises LLC
Bank of New York Mellon Corp
Natixis
Goldman Sachs Group Inc
T Rowe Price Group Inc
Legg Mason Inc
Morgan Stanley
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
Northern Trust Corporation
Société Générale
Bank of America Corporation
Lloyds TSB Group plc
Invesco plc
Allianz SE 29. TIAA
Old Mutual Public Limited Company
Aviva plc
Schroders plc
Dodge & Cox
Lehman Brothers Holdings Inc*
Sun Life Financial Inc
Standard Life plc
CNCE
Nomura Holdings Inc
The Depository Trust Company
Massachusetts Mutual Life Insurance
ING Groep NV
Brandes Investment Partners LP
Unicredito Italiano SPA
Deposit Insurance Corporation of Japan
Vereniging Aegon
BNP Paribas
Affiliated Managers Group Inc
Resona Holdings Inc
Capital Group International Inc
China Petrochemical Group Company

Bibliografia:
The network of global corporate control
Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston
arXiv
19 Sep 2011
http://arxiv.org/abs/1107.5728