quinta-feira, 27 de maio de 2010

Tecnologia em Alimentos

 

O que é este curso e como ele é desenvolvido?

A aplicação de novas tecnologias no processo alimentício é indispensável às indústrias que objetivam o aumento de sua produtividade, a melhoria de qualidade, a redução do tempo de lançamento de novos produtos e, conseqüentemente, a melhoria da sua competitividade.

O Curso Superior de Tecnologia em Alimentos tem como foco disciplinas técnicas relativas aos processos de industrialização dos produtos de origem vegetal e animal. Também apresenta disciplinas de abrangência gerencial e humana, direcionadas ao desenvolvimento de tais capacidades, resultando em competências básicas demandadas pelo mercado. Visa formar o profissional especializado que é responsável por todo o processo de transformação de alimentos e bebidas. Com formação baseada, fundamentalmente, na atuação prática garante a habilitação segura ao profissional para o ingresso imediato no mercado de trabalho. O tecnólogo em Alimentos é um profissional que irá planejar serviços, implementar atividades, administrar, gerenciar recursos, promover mudanças tecnológica e aprimorar condições de segurança, qualidade, saúde e meio ambiente.

O Curso tem duração de 3 anos, desde que o estágio e o trabalho final sejam realizados concomitantemente com as disciplinas, e é desenvolvido, desde o seu início, em atividades teóricas e práticas.

No último semestre letivo, o aluno deverá desenvolver um trabalho final, denominado de Trabalho de Diplomação, que envolverá o conhecimento adquirido ao longo do Curso.

Quais as áreas de conhecimento que o Tecnólogo em Alimentos precisa dominar?

• Química;
• Industrialização de alimentos;
• Gestão na área;
• Qualidade em alimentos;
• Gerenciamento ambiental;
• Possuir habilidade em atividades de laboratório.

Em que áreas podem atuar os tecnólogos formados neste curso?

Áreas de economia industrial, de gestão de empresas e trabalho, de gestão de fábrica e gestão de sistemas de produção em processos de alimentos e bebidas. O profissional poderá atuar desde a elaboração do projeto industrial e seleção de matérias-primas até o transporte e a comercialização do produto, e em Instituições de ensino.

Quais atividades podem ser desenvolvidas pelo Tecnólogo em Alimentos?

• Supervisão, orientação e controle na seleção de matéria-prima;
• Supervisão e acompanhamento de todas as fases de industrialização seja em laboratório de controle de qualidade ou na própria linha de processamento;
• Realização do controle da qualidade físico-química, microbiológica, microscópica e sensorial das matérias-primas e produtos acabados;
• Higiene, implantação e gerenciamento de programas de controle de qualidade;
• Coordenação do armazenamento de matéria-prima e de produtos acabados;
• Aplicação dos processos físicos, químicos, bioquímicos e microbiológicos inerentes à moderna tecnologia de alimentos;
• Aplicação da legislação reguladora das atividades e dos produtos;
• Organização e direção do departamento de controle de qualidade;
• Acompanhamento dos projetos de produção e comercialização dos produtos alimentícios;
• Pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos e metodologias analíticas na área específica.

Qual o perfil para este curso?

• Gostar da Química, Biologia, Estatística, Nutrição e das Ciências Agrárias.
• Gostar da leitura, da pesquisa e da informática.
• Possuir habilidades manuais para trabalhar com equipamentos e metodologias laboratoriais.
• Ter facilidade de comunicação oral e escrita

Fonte: Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Inovação tecnológica é a única rota para desenvolvimento sustentável

 

Fonte: Site Inovação Tecnológica

Fábio de Castro - Agência Fapesp - 27/05/2010

Brasil autossustentável

Se o Brasil quiser construir um novo projeto de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, para a indústria, para a agricultura e para os próprios padrões culturais da sociedade, em todos os casos, a inovação deverá ser o eixo central da transformação.

A análise foi feita pelos participantes da plenária de abertura da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), que começou nesta quarta-feira (26/5), em Brasília.

Com o tema "Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação com vistas ao desenvolvimento sustentável", o evento reúne milhares de participantes até a sexta-feira (28/5).

A plenária de abertura discutiu o eixo central da reunião: como o avanço do conhecimento e da inovação pode se tornar o vetor fundamental do desenvolvimento econômico com preservação dos ativos ambientais e melhoria na qualidade de vida.

Desenvolvimento sustentável da Amazônia

De acordo com Bertha Becker, professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Amazônia - área estratégica para o país e modelo por excelência para o estudo dos conflitos entre preservação ambiental e crescimento econômico - tem hoje duas propostas de projetos de desenvolvimento sustentável.

"Um desses projetos, que está associado às mudanças climáticas, tem predominado. Sua prioridade é evitar a emissão de gases de efeito estufa e implementar o mercado de carbono. Esse projeto defende a preservação da floresta em pé, financiando a renúncia ao desmatamento. É uma ideia que parece sedutora, mas questiono fortemente esse projeto, pois ele mantém a floresta improdutiva. É basicamente um projeto de compensação para países desenvolvidos que poderão continuar sendo os maiores emissores", disse.

O outro projeto, segundo a pesquisadora, entende o desenvolvimento sustentável como um novo padrão de desenvolvimento baseado na ciência, na tecnologia e na inovação.

"O desafio, nesse caso, é utilizar os recursos naturais sem destruí-los, gerando emprego e renda para os milhões de habitantes da região. Para isso, vamos ter que mudar o padrão de desenvolvimento da Amazônia. Só conseguiremos isso com políticas públicas e imensos investimentos em ciência e inovação", destacou.

Papel dos cientistas

Segundo Bertha, na atualidade o papel dos cientistas se tornou mais complexo: além de pesquisar, descobrir, inovar e implementar técnicas avançadas, o cientista contemporâneo precisa esclarecer a sociedade sobre as rápidas transformações no mundo.

"Caberá à sociedade acarear esses dois projetos e essa acareação deverá levar em conta o extraordinário valor da Amazônia. Os cientistas precisam deixar isso claro", disse.

Base educacional da sociedade

De acordo com o coordenador da plenária de abertura, Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a ciência e a inovação têm uma missão ainda maior que o estabelecimento de uma economia sustentável. Será preciso contribuir com a construção de um novo modelo de sociedade.

"Nos últimos anos, o sistema financeiro se tornou uma finalidade em si e desvirtuou os investimentos em tecnologia. Tivemos uma concentração do risco e, mesmo tendo avaliações prévias de que haveria um colapso financeiro, não fomos capazes de impedi-lo. Não estamos diante de uma mera crise financeira: uma análise mais profunda revela uma crise do padrão de convivência da sociedade contemporânea", afirmou.

Segundo o também professor das Faculdades de Campinas, a crise estrutural do modelo construído nos últimos 60 anos e radicalizado na década de 1980 gerou ao mesmo tempo uma escalada do consumo e da desigualdade.

"O Brasil é quase uma exceção, já que conseguiu fazer o mínimo para reduzir a desigualdade. Mas estou assustado com a degradação cultural da sociedade. Basta olhar os fóruns na internet para ter noção do grau de isolamento e agressividade das pessoas que se manifestam anonimamente. Isso não está dissociado do meio ambiente - esse comportamento faz parte de um padrão civilizatório que precisa ser mudado", afirmou.

Para pensar em inovação e desenvolvimento, segundo Belluzzo, será preciso cuidar do aperfeiçoamento cultural dos brasileiros e da inclusão social e cultural dos jovens da periferia.

"Estamos, aqui falando de inovação, mas é preciso destacar que a inovação precisa começar pela base cultural e educacional", disse, sob aplausos da grande plateia presente.

Recursos naturais

Segundo Pedro Luiz Barreiros Passos, presidente do Instituto de Educação e Inovação (Iedi), a economia do Brasil vive um bom momento, mas ainda está baseada em exportação de recursos naturais, em vez de produtos manufaturados com alto valor agregado.

"Enfrentamos a crise financeira com muita inteligência, mas, além do rico patrimônio natural, social e cultural, precisamos criar elementos para a exploração das vantagens comparativas do país, seja energia renovável, a forte produção agrícola ou uma nova cadeia como a do pré-sal", disse.

De acordo com Passos, além dos recursos naturais o Brasil tem vantagens de curto prazo, como a janela demográfica, que permitirá ao país ter uma população economicamente ativa relevante, formando em pouco tempo imensa força de trabalho e um novo mercado interno.

"Temos a oportunidade de fazer uma transição para uma economia de baixo carbono, com aumento da eficiência energética e do transporte. Para isso, os padrões do uso de transportes terão que mudar, de forma associada aos investimentos nas tecnologias de bioenergia, novos materiais e processos produtivos. Mas temos que ser ambiciosos e buscar a liderança mundial em bioenergia, química verde, alimentos sustentáveis e outras áreas que são nossa vocação", disse.

Revolução verde

José Geraldo Eugênio de França, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, destacou que o Brasil passou por uma revolução verde e, hoje, a agricultura representa quase um terço da economia do país, empregando 40% da população.

O país, segundo ele, tem um dos mais baixos preços de alimentos do mundo. Mas a ambição deve ser levada mais longe, pois há potencial para se tornar o primeiro produtor mundial de alimentos.

"Já estamos na terceira colocação, tendo ultrapassado o Canadá recentemente. A grande questão é chegar a esse objetivo adotando o princípio do respeito ao meio ambiente e à sustentabilidade. Estamos convencidos de que podemos fazer isso", afirmou.

Segundo França, os pesquisadores são responsáveis pelo redesenho de uma nova agricultura menos dependente dos insumos, com maior produtividade baseada na biotecnologia e na nanotecnologia.

"Hoje, temos 8 milhões de hectares de cana-de-açúcar que não empregam inseticidas e 22,5 milhões de hectares de soja com uso de bactérias no lugar do nitrogênio mineral. Assim como a China escolheu ser a fábrica do mundo, podemos nos tornar o grande produtor de alimentos, matérias-primas e biocombustíveis. Mas não há como fazer isso sem muita ciência e sustentabilidade", disse.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Morte ecologicamente correta

Fonte: Globo Rural Online

Enterro ecológico dispensa o caixão de madeira

Mesmo após a morte, as pessoas podem demonstrar uma postura ecológica. Os enterros naturais - aqueles que eliminam na medida do possível a utilização de caixões e produtos químicos nas técnicas de embalsamamento – estão ficando famosos no mundo, em especial nos Estados Unidos, e demonstram que morrer não é mais pretexto para poluir.

Segundo a empresa Green Burial Council, dedicada à promoção de enterros ecológicos, nos sepultamentos praticados nos EUA tradicionalmente são empregados a cada ano 82 mil toneladas de aço, 2,5 mil toneladas de bronze e cobre e 1,4 milhões de toneladas de cimento para manter os túmulos.

Outros dos problemas ambientais causados pelos enterros são os líquidos desprendidos pelos corpos. Os processos de embalsamamento supõem resíduos de até 3,1 milhões de litros de fluídos baseados em um componente que a Agência para a Proteção do Meio Ambiente dos EUA qualifica como 'provável agente cancerígeno'. Este líquido pode acabar se infiltrando nos lençóis freáticos, e além disso, oferecem riscos para os trabalhadores dos cemitérios, afirma a Green Burial Council.

Nos cadáveres, também se encontram em muitos casos obturações dentais de amálgama metálica, que são extremamente poluentes para o meio ambiente porque contêm mercúrio e, em determinados casos, marca passos, que levam acopladas pilhas elaboradas com elementos também muito prejudiciais para o meio ambiente. Outros serviços funerários como a tanatoestética - a arte de maquiar os mortos - utilizam pequenas porções de formol, um produto altamente tóxico.

Na construção de um caixão convencional de madeira maciça, é preciso uma árvore, enquanto com o papelão seria possível fabricar 100 caixões com o mesmo impacto ambiental. Na Europa, um milhão de árvores são cortadas anualmente para fabricar ataúdes convencionais, embora a madeira mais prezada para este fim seja o mogno, que demora 50 anos para crescer.

Opção natural

Neste projeto, apenas a cápsula biodegradável é cremada A alternativa mais ecológica de enterro é voltar à terra de forma mais natural, sem caixão nem embalsamamento, uma opção que, por enquanto, nos EUA só é possível em alguns poucos cemitérios. Um enterro 'verde' também pode ser muito mais econômico para as finanças das pessoas próximas dos falecidos.

Enquanto em um funeral tradicional só o caixão de madeira pode custar US$ 8 mil, os enterros ecológicos custam entre US$ 300 e US$ 4 mil, dependendo do preço do solo do túmulo. Mas para aqueles aos que acham que ser enterrado sem caixão é algo muito extremo, uma boa opção são os caixões biodegradáveis.

As cremações, realizadas tradicionalmente em grande parte da Ásia e que entraram no mercado ocidental com muita reticência são, a cada dia, mais solicitadas. Mas as emissões de gases das incineradoras, principalmente pelos elementos tóxicos usados na fabricação dos caixões, também prejudicam o meio-ambiente.

A urna para as cinzas derrete na água e não polui A solução que algumas empresas oferecem, como a espanhola 'Limbo', é manter o caixão tradicional de madeira, mas com uma cápsula biodegradável em seu interior, que é a que se introduz no forno crematório. Esta cápsula é elaborada com derivados da madeira ou aglomerados e com fechaduras da própria madeira.

Para Jordi Requena, responsável da empresa 'Limbo', 'quando há um casamento se aluga um carro lindo, mas não se compra. O mesmo pode ser feito com o caixão, desta forma estaríamos evitando a contaminação e o desmatamento'.

A Limbo também comercializa urnas biodegradáveis para as cinzas, que não utilizam resinas e são elaboradas com sal e gelatina - que se desfazem na água - e terra. São novos modelos de urnas totalmente inofensivas para o meio ambiente, e ideais para famílias que optarem por jogar as cinzas do falecido no mar.

Para outros usos, a Limbo criou modelos específicos, entre eles urnas feitas com areia de praia ou fabricadas com terra vegetal à qual se incorpora uma semente de árvore, como antecipação da cadeia de retorno.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cientistas fazem foto 3D da camada de valência de uma molécula

Site Inovação Tecnológica

Nuvem de valênciaMedição experimental do ciclo de evolução temporal (da esquerda para a direita) da nuvem eletrônica externa de uma molécula de NO. As setas indicam a polarização do feixe de laser que alinha as moléculas durante o experimento.

Como todo estudante do ensino médio sabe, a química entre os átomos e as moléculas é fortemente determinada pela sua camada externa de elétrons, a chamada camada de valência.

O que poucos deles sabem é que as camadas dos elétrons são melhor representadas por nuvens de elétrons, e não por elétrons-partículas, como mostrado no conhecido modelo de Bohr, no qual um átomo é desenhado como se fosse um sistema solar, com os elétrons girando em órbitas bem definidas ao redor do núcleo.

Imagem 3D da camada de valência

Agora, uma equipe de cientistas japoneses desenvolveu uma técnica que é capaz de detectar a forma tridimensional e a dinâmica de uma nuvem de elétrons - mais especificamente, da camada de valência de uma molécula.

"A forma de uma nuvem de elétrons está no cerne das interações intermoleculares que levam a todas as maravilhas da química," comenta Toshinori Suzuki, do Instituto Riken, que liderou a equipe que reuniu cientistas de três instituições do Japão.

Medir a dinâmica de uma nuvem de elétrons é difícil porque as moléculas nos gases e nos líquidos sempre se movimentam aleatoriamente, o que torna difícil tirar uma foto instantânea do movimento médio de um grande número de moléculas.

Entretanto, a excitação do óxido nítrico (NO) por um feixe de laser polarizado consegue alinhar as moléculas ao longo de um eixo, permitindo a medição precisa de sua nuvem eletrônica externa, justamente a mais interessante para os químicos.

Nuvem de elétrons

Para detectar a forma da nuvem eletrônica externa de uma molécula de NO, alinhadas pelo primeiro pulso de laser, Suzuki e seus colegas liberaram os elétrons da última camada usando um segundo pulso de laser.

Eles então aplicaram um campo elétrico para acelerar e projetar a nuvem de elétrons que se expandia em uma tela fluorescente, onde ela pode ser visualizada como uma representação direta da distribuição eletrônica original.

Os pesquisadores então usaram algoritmos de computador, semelhantes aos utilizados na tomografia computadorizada, para construir uma imagem tridimensional da nuvem de elétrons a partir da representação bidimensional criada na tela fluorescente.

Eliminando os borramentos

Segundo Suzuki, princípios fundamentais da mecânica quântica limitam o grau em que as moléculas podem ser alinhadas pelo pulso de laser. Isto significa que a imagem tridimensional resultante é sempre um tanto borrada. Remover esta indefinição na imagem final foi, segundo ele, a parte mais difícil do processo.

Para gerar uma imagem ainda mais precisa, os cientistas analisaram como a imagem tridimensional muda quando as moléculas saem do alinhamento. Ao corrigir estes efeitos de desalinhamento eles conseguiram melhorar ainda mais a nitidez da imagem.

Danos ao DNA

O algoritmo desenvolvido pela equipe é capaz de visualizar a nuvem eletrônica externa de uma molécula em repouso, mas o desafio agora é mapear as rápidas mudanças que ocorrem durante as reações químicas.

"A molécula de NO foi apenas um teste," explica Suzuki. "Nosso alvo principal são as moléculas mais complexas e suas reações químicas em resposta à incidência de luz de cores diferentes."

A visão de futuro dos pesquisadores é utilizar a técnica para estudar o mecanismo de danos ao DNA induzidos pela radiação, a partir de observações em tempo real dos movimentos dos elétrons em suas moléculas constituintes.

Bibliografia:
Molecular Frame Image Restoration and Partial Wave Analysis of Photoionization Dynamics of NO by Time-Energy Mapping of Photoelectron Angular Distribution
Ying Tang, Yoshi-Ichi Suzuki, Takuya Horio, Toshinori Suzuki
Physical Review Letters
Vol.: 104, 073002 (2010)
DOI: 10.1103/PhysRevLett.104.073002