![Imagens superpostas da face esférica das ondas de luz refletidas pelas superfícies que estão sendo filmadas - este é um dos quadros da filmagem da câmera de 1 trilhão de quadros por segundo. [Imagem: Ramesh Raskar/MIT] Imagens superpostas da face esférica das ondas de luz refletidas pelas superfícies que estão sendo filmadas - este é um dos quadros da filmagem da câmera de 1 trilhão de quadros por segundo. [Imagem: Ramesh Raskar/MIT]](http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010110111214-ondas-de-luz.jpg)
Este Blog é um bloco de notas, onde posso recuperar as notícias interessantes para eu usar nas minhas aulas posteriormente. Acesse também meu site: http://professorvini.zz.mu/
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Câmera mais rápida do mundo mostra luz em câmera lenta
![Imagens superpostas da face esférica das ondas de luz refletidas pelas superfícies que estão sendo filmadas - este é um dos quadros da filmagem da câmera de 1 trilhão de quadros por segundo. [Imagem: Ramesh Raskar/MIT] Imagens superpostas da face esférica das ondas de luz refletidas pelas superfícies que estão sendo filmadas - este é um dos quadros da filmagem da câmera de 1 trilhão de quadros por segundo. [Imagem: Ramesh Raskar/MIT]](http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010110111214-ondas-de-luz.jpg)
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Lobotomia: Quando a ciência se torna bárbara e grotesca
Por Moisés de Freitas, Site Diário da Saúde
Coragem
Você duvidaria de uma descoberta científica que ganhasse o Prêmio Nobel de Medicina?
Você se recusaria a passar por uma cirurgia que médicos de todo o mundo afirmassem ser a mais indicada para o seu caso, mesmo não sabendo exatamente no que consiste a cirurgia?
Esta é a triste história da lobotomia, ou leucotomia.
Lobotomia
Em 1935, o neurologista português Egas Moniz descobriu uma solução quase milagrosa para os comportamentos obsessivos e depressivos: cortar as conexões entre os lobos frontais e o resto do cérebro.
Isso diminuía os comportamentos violentos observados em pacientes de hospitais psiquiátricos. Se o paciente ficava apático e "tranquilo", isso era visto como um sucesso.
Moniz relatou ter observado melhorias dramáticas nos vinte primeiros pacientes tratados.
Foi tanto entusiasmo que a prática se alastrou por todo o globo, logo saindo dos hospitais psiquiátricos e passando a ser recomendada, por exemplo, para mulheres com depressão pós-parto.
Apesar da oposição de alguns profissionais, a cirurgia tornou-se prática comum, recomendada para tratar transtornos compulsivos, esquizofrenia e depressão.
Em 1949, Moniz ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela invenção da lobotomia. A cirurgia alcançou então o pico de sua popularidade.
Medicina bárbara
Hoje a lobotomia é vista como uma prática bárbara: são feitos dois furos, um de cada lado do cérebro.
Uma ferramenta simples de metal, com um cabo de madeira, é passada de um lado para o outro, rompendo as conexões nervosas dos lobos frontais com o restante do cérebro.
O efeito para o paciente é devastador: ele é mentalmente mutilado, praticamente deixando de existir como pessoa.
E os argumentos dos muitos cirurgiões que ganharam fama com a prática pareceram bem sólidos na época: segundo eles, o encarceramento em hospitais psiquiátricos parecia ser uma alternativa pior.
Anular o paciente enquanto pessoa parecia então uma alternativa razoável, já que ela já estava de fato anulada, e ainda sofria violências de todos os tipos.
Felizmente, na década de 1950, a lobotomia caiu rapidamente em desuso.
Em primeiro lugar, pelo grande número de cirurgias fracassadas. E, em segundo, pelo desenvolvimento de drogas psiquiátricas que também "desligavam" os pacientes violentos sem a necessidade da cirurgia.
Aprendemos a lição?
Será que o mundo aprendeu a lição?
O Prêmio Nobel de Medicina Egas Moniz acreditava que os comportamentos obsessivos eram gerados por circuitos defeituosos no cérebro.
Quantas pesquisas atuais não tentam explicar inúmeras condições por "genes defeituosos"?
Até mesmo comportamentos como simpatia, sociabilidade e altruísmo já foram devidamente "explicados" pela ativação ou desativação de algum gene.
Você não é capaz de saber se outra pessoa é simpática no primeiro contato? Pois uma pesquisa ganhou recentemente as manchetes afirmando não que os humanos sentem a simpatia, mas que eles "detectam o gene da sociabilidade em 20 segundos".
E isto deve continuar por muito tempo, conforme mais e mais universidades compram equipamentos caros de sequenciamento genético, que devem ser usados por mais e mais alunos de doutoramento e pós-doutoramento, que continuarão emitindo explicações e dando resultados baseados no mesmo pressuposto.
E qual é esse pressuposto? O de que o homem, fisiológica e psicologicamente, é aquilo que seus genes dizem que ele é.
Há uma grande corrente que prefere a epigenética, que seria mais razoável, admitindo que pode ser a simpatia que ativa o gene, e não o contrário, mas esta corrente ainda está longe de ser predominante.
Ciência bárbara
Hoje a lobotomia é considerada uma prática bárbara, bizarra e grotesca.
Será que não há tratamentos hoje recomendados que foram desenvolvidos com base em pressupostos "científicos" igualmente bárbaros, bizarros e grotescos?
O pressuposto básico da chamada "ciência oficial" é a de que o ser humano é um animal cuja mente, cuja consciência, ou como se queira chamar o que a filosofia historicamente chama de "espírito humano", é um produto inteiramente gerado pela sua fisiologia.
Em uma comparação com o mundo da tecnologia, o software do homem emana do seu hardware. Logo, qualquer correção, de qualquer defeito, deve ser feita no hardware.
É claro que há inúmeros cientistas que discordam disso. Mas eles não podem publicar isto em seus artigos científicos porque isso não seria considerado ciência. E isto realimenta o processo, uma vez que o pressuposto básico do "homem-unicamente-animal" não encontra oposição.
Na época da lobotomia, inúmeros cientistas também se apresentaram como opositores da cirurgia, mas o argumento de que a alternativa era pior venceu.
Esse argumento da "alternativa pior" continua sendo usado hoje em muitos casos.
Mesmo quando travestido ele pode ser identificado, por exemplo, quando protocolos médicos recomendam determinados exames preventivos em determinada idade e os interesses comerciais começam a reduzir essa idade cada vez mais, apenas para vender mais exames - "Você quer se arriscar a ter câncer?", ameaçam os "vendedores".
E os medicamentos que vieram ajudar a eliminar a lobotomia hoje são prescritos também para crianças que apresentam apenas um comportamento agitado na escola, graças à onda da medicalização de quase todos os comportamentos.
Ciência humana
Os fatos indicam que ainda não estamos isentos de novos barbarismos. Para limitar sua ocorrência, só mesmo o surgimento de uma ciência verdadeiramente humana.
No caso da Medicina, de uma ciência médica que nunca se esqueça de que seu pressuposto básico é que ela estará sempre tratando de seres humanos, que têm corpo e espírito, e não de animais humanos, animais aos quais sempre se negou uma alma.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Ecoeficiência de sacolas depende do comportamento do consumidor
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias
Em tempos de ecoeficiência, há quem acredite que as sacolas retornáveis são a melhor opção na hora de fazer compras.
Mas, de acordo com um estudo inédito, realizado pela Fundação Espaço ECO e Instituto Akatu, não é tão simples assim dizer que as sacolas retornáveis são melhores para o meio ambiente.
O estudo concluiu que a a ecoeficiência de cada tipo de sacola depende do hábito do consumidor.
Ciclo de vida das sacolas plásticas
Os pesquisadores analisaram o chamado "ciclo de vida" de oito opções de sacolas disponíveis no mercado brasileiro.
Isso incluiu sacolas descartáveis (de polietileno tradicional, de polietileno de cana-de-açúcar e as aditivadas com promotor de oxibiodegradação) e algumas retornáveis (papel, ráfia, tecido e TNT - tecido não-tecido).
Todas foram avaliadas para um período de um ano.
Foram considerados vários cenários, envolvendo maior ou menor volume de compras, maior ou menor frequência de idas ao supermercado e de descarte do lixo, matéria-prima utilizada na produção das sacolas, capacidade de carga, custo de cada uma, número de vezes em que é utilizada, reutilização ou não da sacola como saco de lixo e envio ou não para reciclagem.
"Percebemos que cada material tem um desempenho mais adequado dependendo da função e da maneira como é empregado", explica o gerente de ecoeficiência da Fundação Espaço ECO, Emiliano Graziano.
Vantagens e desvantagens de cada tipo de sacola
Segundo o pesquisador, a relação entre o número de idas do consumidor ao supermercado, o número de vezes que ele dispõe seu lixo em sacolas plásticas e o tamanho de sua compra definem quais sacolas são mais eficientes do ponto de vista da preservação ambiental.
Segundo os pesquisadores, as sacolas descartáveis são vantajosas em um cenário considerado de poucas compras (até duas idas ao supermercado por semana).
Já em situações de mais compras (mais de três visitas semanais ao supermercado), as sacolas descartáveis só seriam vantajosas se usadas no descarte de lixo ao menos três vezes por semana.
As sacolas de papel não se mostraram vantajosas em relação às demais em nenhum tipo de cenário. O motivo é a baixa capacidade de carga, reúso e reciclagem.
"O papel, por ter ficado como alternativa mais impactante no caso base do estudo, não significa que será sempre pior nas situações em que pode ser substituído pelo plástico. Ou seja, o desempenho da sacola de papel, como também ocorre nas outras alternativas, está diretamente ligada ao seu eco design (forma, estrutura, quantidade de matéria-prima empregada) e à sua condição de uso e durabilidade," esclarece Graziano.
A sacola oxidegradável também não apresentou desempenho ambiental melhor do que a sacola descartável tradicional.
Polêmicas
O resultado é contrário ao que tem sido apregoado pela mídia, mas é coerente com outras pesquisas:
Lei da sacola plástica erra o alvo, diz especialista
Ciência ambiental: não troque as sacolas plásticas ainda
Este estudo, foi financiado pela Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, portanto, com interesses na questão.
Por outro lado, a empresa já fabrica também plásticos à base de cana-de-açúcar e teve o primeiro plástico verde certificado do mundo.
Outra crítica é que o trabalho não incluiu entre os fatores de impacto ambiental o tempo de decomposição de cada um dos materiais, principal preocupação daqueles que se opõem às sacolas plásticas.
Ou seja, perdeu-se uma boa oportunidade para um parecer científico sobre o assunto.
Hoje a população recebe como informação apenas boatos e mitos: é possível encontrar na imprensa estimativas de degradação das sacolas plásticas que variam de 50 a 1.000 anos, sem a citação de nenhum estudo científico para embasar as afirmações.
Fabricantes vão reduzir benzeno nos refrigerantes até 2017
Fonte: Diário da Saúde
Cinco anos
As principais marcas de refrigerante light ou diet cítrico terão menos benzeno nos próximos anos.
O benzeno é uma substância que pode provocar câncer.
Responsáveis por quase 90% do mercado brasileiro, as empresas Coca-Cola, Schincariol e Ambev comprometeram-se a reduzir a quantidade de benzeno em suas bebidas ao máximo de 5 ppb (partes por bilhão) ou 5 microgramas por litro.
Este é o mesmo parâmetro usado para a água potável.
Mas isto só em 2017. Até lá os consumidores que continuarem consumindo os produtos continuarão sujeitos ao benzeno.
Bebidas cítricas sem açúcar
A meta foi acertada com o Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais.
A medida demorou dois anos, desde que, em 2009, a Associação de Consumidores Proteste apontou alta concentração de benzeno em refrigerantes no Brasil.
Em 2009, a associação analisou 24 amostras de diversos refrigerantes e detectou a presença de benzeno em sete delas.
Depois da pesquisa, o MPF começou a investigar o caso.
Benzeno nos refrigerantes
Nos refrigerantes, o benzeno surge da mistura do ácido benzóico com a vitamina C.
Nos refrigerantes normais esse processo não ocorre por causa do açúcar, que inibe a reação química.
No Brasil, não existe limite de benzeno para os refrigerantes.
A legislação sanitária prevê valor somente para a água potável, de 5 ppb (partes por bilhão), igual ao adotado pelos Estados Unidos.
De acordo com a associação Proteste, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece em até 10 ppb a quantidade de benzeno para a água. Na União Europeia, é 1 ppb.
Estudos de mais de três décadas atrás apontam que a exposição ao benzeno eleva o potencial de câncer e doenças no sangue.
"Ele é tóxico e causador de leucemia e outros tumores, dependendo da quantidade e do tempo de exposição", disse o presidente da Associação Brasileira de Hemoterapia e Hematologia (ABHH), Cármino de Souza.
Cancerígeno, benzeno requer controle social
Cuidado com o benzeno
A maioria das pesquisas avaliou públicos específicos, como trabalhadores dos setores petroquímico e de siderurgia, que lidam diretamente com a substância.
O médico explicou que ainda há pouca informação sobre os efeitos do benzeno na saúde da população em geral, mas advertiu que a menor exposição ao agente químico diminui as chances de doenças sanguíneas. "Temos contato com benzeno diariamente. O ideal é zero, o mínimo possível".
O benzeno está presente na fumaça do cigarro e dos carros. É também usado na fabricação de plásticos, borrachas e detergentes.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Da geração de renda à inclusão digital: alternativas para o lixo eletrônico
Fonte: Agência USP

Porém, quando você decide trocar o seu aparelho eletrônico, vê apenas a possibilidade de se livrar de uma “sucata” ou melhor, de um “lixo tecnológico”. Afinal, aquele computador que você comprou na segunda metade da década passada, com um “moderno” leitor de CD/DVD, não passa de sucata perto dos atuais modelos “ All-in-One”.
Nada contra você querer atualizar os seus equipamentos, muito pelo contrário. Mas existem alguns dados sobre o assunto que talvez você (ainda) não saiba. Um deles é que equipamentos eletrônicos como computadores, impressoras, carregadores de celular, pilhas e baterias que você descarta, têm, em sua composição, dezenas de substâncias que podem contaminar as outras pessoas, os animais e o meio ambiente, como metais pesados (chumbo, cádmio, mercúrio) e outros elementos tóxicos. Por isso, o descarte deve ser feito de maneira adequada e nunca no lixo comum.
É provável também que você nunca tenha pensado que o seu lixo eletrônico pode se transformar em uma grande oportunidade de crescimento para outras pessoas, caso passe por uma reforma. E que talvez esta seja a única maneira que uma criança ou jovem de uma comunidade carente tenha para aprender a utilizar um computador.
“Brasil descarta 96,8 mil toneladas de computadores por ano.
Em 1 tonelada de PCs existe mais ouro do que 17 toneladas
de minério bruto do metal“
Geração global de lixo eletrônico cresce cerca de 40 milhões de toneladas/ano
Do lixo eletrônico aos recursos
Mas o mais importante nesta história é que você não está sozinho: assim como você, milhões de pessoas em todo o mundo estão fazendo a mesma coisa: trocando suas “sucatas” eletrônicas por aparelhos mais modernos. O resultado disso é assustador: a geração global de lixo eletrônico cresce cerca de 40 milhões de toneladas por ano, de acordo com o relatório Recycling – from e-waste to resources (Reciclando – do lixo eletrônico aos recursos) publicado em fevereiro de 2010 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Segundo o documento, o Brasil descarta 96,8 mil toneladas de computadores por ano.
O relatório analisa a situação do lixo eletrônico na África do Sul, Quênia, Uganda, Marrocos, Senegal, Peru, Colômbia, México, Brasil, Índia e China. De acordo com o documento do PNUMA, os aparelhos eletrônicos possuem placas com circuitos eletrônicos que podem chegar a utilizar mais de 60 tipos de elementos químicos. O crescimento do consumo no setor aumentou a utilização de recursos naturais para suprir esta necessidade e isto está levando a escassez destes recursos. Por outro lado, o descarte inadequado de aparelhos obsoletos contamina o meio ambiente, pois estes elementos químicos ou são valiosos ou são tóxicos, ou ambos. As atividades de mineração consomem altas taxas de combustível, com alta geração de CO2, contribuindo negativamente para o efeito estufa.
Portanto, o mais sensato seria recuperar os metais utilizados nos aparelhos descartados do que produzir novos metais, ou seja, “minerar” o lixo eletrônico: uma tonelada de telefone celular sem bateria contém 3,5 quilos de prata, 340 gramas de ouro, 140 gramas de paládio e 130 quilos de cobre. Segundo o relatório, em 2007, mais de 1 bilhão de celulares foram vendidos em todo o mundo, um aumento de 896 milhões em comparação a 2006. Especialistas no setor apontam que em 1 tonelada de PCs existe mais ouro do que 17 toneladas de minério bruto do metal. Por isso, é fundamental que a sociedade se mobilize para encontrar alternativas para lidar com essa realidade.
“Uma tonelada de telefone celular sem bateria contém
3,5 quilos de prata, 340 gramas de ouro,
140 gramas de paládio e 130 quilos de cobre”
Alternativas viáveis
Nesta reportagem especial, vamos abordar o trabalho realizado pelo Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (CEDIR) da USP, um projeto pioneiro no setor público iniciado em dezembro de 2009 e que se tornou uma referência nacional no tratamento adequado de resíduos eletrônicos.
CEDIR: galpão de 400 metros quadrados na Cidade Universitária, em São Paulo
Em um galpão de cerca de 400 metros quadrados localizado no campus da Cidade Universitária, em São Paulo, o CEDIR recebe CPUs, monitores, teclados, mouses, estabilizadores, no-breaks, impressoras, telefones, celulares, fios e cabos, CDs, DVDs e pequenos objetos como câmeras fotográficas, pilhas, baterias e cartuchos descartados pela comunidade uspiana e também de pessoas físicas. Mas nem pense em levar a sua geladeira velha: eles não recebem eletrodomésticos.
Os equipamentos que ainda têm condições de serem reaproveitados passam por uma reforma e são encaminhados para projetos sociais cadastrados sob a forma de empréstimo, ou seja, serão devolvidos ao CEDIR no fim de sua vida útil. Os equipamentos que não podem ser reaproveitados são desmontados, e as peças ou são separadas e encaminhadas para recicladores, ou são utilizadas como reposição para outras máquinas. Desde a sua inauguração, mais de 600 equipamentos, entre computadores e impressoras, já foram cedidos tanto para unidades da USP como também para entidades sociais cadastradas.
Inclusão digital e geração de renda
Nós fomos conhecer uma dessas entidades: o Clube de Mães Novo Recreio, na periferia de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Desde 2010, graças aos 20 computadores recebidos via empréstimo do CEDIR, crianças, jovens e adultos da comunidade passaram a ter aulas de informática, levando a inclusão digital a um lugar onde o asfalto ainda não chegou.
Projetos sociais recebem computadores reciclados por meio de empréstimo
Outra vertente do trabalho é a capacitação de catadores de material reciclado. Em 2010, o CEDIR e o Instituto Gea Ética e Meio Ambiente foram contemplados por um projeto da Petrobras que está possibilitando o treinamento de catadores para a reciclagem correta de eletrônicos. Especialistas da área contam que, para desmontar monitores e televisores de tubo, muitos catadores simplesmente dão marretadas no equipamento. O problema é que, fazendo isso, o chumbo e o fósforo que compõe esses equipamentos são liberados, contaminando o ambiente e as pessoas. O curso visa a capacitação de catadores para lidarem com lixo eletrônico sem prejudicar a si mesmos ou a natureza.
Nós fomos ao CEDIR, ao Clube de Mães Novo Recreio, além de acompanharmos uma das aulas do curso que capacita catadores para a reciclagem segura de equipamentos eletrônicos. E produzimos três vídeos sobre cada uma das iniciativas.
Treinamento na USP: gerando renda para catadores e protegendo meio ambiente
Este especial fala um pouco sobre o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e de uma iniciativa da USP que serviu de inspiração para gestores públicos repensarem as licitações na área de tecnologia. Comentaremos a triste realidade de países pobres da África, como Gana, que se transformou em “depósito” de lixo eletrônico. E para finalizar, alguns links interessantes que vão nortear o leitor para o encaminhamento correto de equipamentos eletrônicos. Boa leitura!
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Consumidores não dão atenção à tabela nutricional dos alimentos
Fonte: Diário da Saúde
Falar e fazer
As tabelas nutricionais impressas nas embalagens de alimentos não são levadas tão a sério pelos consumidores como se imaginava.
Uma pesquisa comparou o que os consumidores dizem sobre ler as tabelas nutricionais e o que eles realmente leem.
Para isso, cientistas da Universidade de Minnesota (EUA) usaram equipamentos especiais para rastrear onde os olhos dos consumidores estavam focados ao olhar a embalagem dos alimentos.
A seguir, eles foram entrevistados e relataram o quanto achavam importante as tabelas nutricionais e o quanto eles haviam lido.
Mas os resultados não coincidiram.
Atenção finita
Os consumidores afirmam ler muito mais a tabela nutricional do que realmente o fazem.
A leitura objetiva foi determinada usando um aparelho de rastreamento dos olhos.
A conclusão é que, quando o consumidor olha para a tabela nutricional, ele olha principalmente para o seu centro, o que significa que ele lê os primeiros itens e interrompe a leitura antes de chegar ao final da tabela.
"Os resultados mostram que os consumidores têm uma faixa de atenção finita para as tabelas de informação nutricional: embora a maioria dos consumidores tenha olhado para as tabelas, muito poucos olharam todos os itens da tabela," afirmam Dan Graham, e Robert Jeffrey.
Informações mais importantes da tabela nutricional
Enquanto 31% dos consumidores afirmaram ler as informações sobre conteúdo de gordura, o aparelho revelou que apenas 9% deles realmente fazem isso.
Apenas 1% dos participantes da pesquisa consultou os itens mais importantes na tabela - gordura total, gorduras trans, açúcar e tamanho da porção.
Mas a disposição da tabela na embalagem também ajuda: as tabelas nutricionais foram lidas em 61% das vezes quando elas estavam na parte frontal da embalagem, contra 34% quando estavam nas laterais.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Alerta sobre transgênicos: vegetais alteram genes humanos
Fonte: Diario da Saúde
Novidade para a ciência![A descoberta abre caminho para o uso terapêutico de alimentos, mas também acende todos os sinais de alerta com relação aos alimentos transgênicos, que podem alterar a expressão genética de seres humanos.[Imagem: Eric Hunt/Wikipedia] A descoberta abre caminho para o uso terapêutico de alimentos, mas também acende todos os sinais de alerta com relação aos alimentos transgênicos, que podem alterar a expressão genética de seres humanos.[Imagem: Eric Hunt/Wikipedia]](http://www.diariodasaude.com.br/news/imgs/couve-de-bruxelas.jpg)
Considere a couve-de-bruxelas: pequena, despretensiosa e aparentemente boa para sua saúde.
Pois saiba que, no seu prato, ela merece bem mais do que um lugar de coadjuvante. Ela e boa parte dessa família de vegetais.
Um novo estudo sugere que este minúsculo membro da família do repolho - juntamente com arroz, brócolis e, possivelmente, todas as plantas que você come - altera o comportamento de seus genes de formas que são totalmente novas para a ciência.
Além da importância para a alimentação e a prevenção de doenças, a descoberta tem um impacto direto sobre os alimentos geneticamente modificados.
Material genético das plantas
Naquela que é a mais forte evidência de que o material genético dos alimentos sobrevive à digestão e circula pelo corpo, fragmentos de RNA de plantas foram encontrados circulando na corrente sanguínea de pessoas, de camundongos e de vacas.
Além do mais, o estudo de Chen-Yu Zhang e seus colegas da Universidade de Nanjing, na China, mostra que os RNAs de algumas dessas plantas alteram a expressão gênica, afetando um componente bem-conhecido da saúde: eles elevam os níveis de colesterol em camundongos.
A notícia é fundamentalmente muito boa.
A descoberta cria uma nova maneira de transformar alimentos em medicamentos: poderemos ser capazes de selecionar plantas que alteram nossos genes para nos fazer bem.
MicroRNAs
O material genético em questão é o microRNA - pequenas fitas de RNA, com algo entre 19 e 24 "letras" (nucleotídeos) de comprimento.
Os microRNAs são encontrados em quase todas as células que possuem núcleo, e viajam de célula em célula no sangue.
Zhang e seus colegas se perguntaram se todas as fitas de miRNA em nosso sangue são feitas por nossas células - ou se algumas vêm da nossa comida.
Os experimentos com sangue humano mostraram que dois microRNAs estavam presentes em concentrações particularmente elevadas: MIR168a e MIR156a - e eles são abundantes no arroz e em membros da família Brassicaceae, que inclui couve-de-bruxelas, brócolis, repolho e couve-flor.
Surpreendentemente, Zhang encontrou MIR168a e MIR156a no fígado, intestino delgado e pulmões de camundongos.
Dada a importância do arroz na dieta dos chineses - aliado ao fato de que o cozimento não destrói os miRNAs das plantas - Zhang concluiu que proporção tão elevada dos miRNAs encontrados no sangue humano só poderia ter uma origem: os alimentos.
mRNA de planta altera expressão genética
Em uma série de experimentos, os pesquisadores descobriram que o MIR168a não apenas sobrevive em células animais, mas também que ele pode alterar a expressão genética.
Juntas, as evidências sugerem que, em camundongos pelo menos, o MIR168a do arroz sobrevive à digestão, inibe a produção de uma proteína e aumenta os níveis de colesterol no sangue.
Simplificando, um miRNA de uma planta é capaz de elevar os níveis de colesterol em camundongos.
O próximo passo, naturalmente, será confirmar esses efeitos adicionais em seres humanos.
Mas a descoberta já acendeu uma luz de alerta em uma outra área: no nascente campo dos alimentos geneticamente modificados.
Feijoada que altera genes?
Há poucos dias, o Brasil se tornou pioneiro no mundo ao liberar uma variedade de feijão transgênico para consumo humano.
A revista Nature publicou uma reportagem que não toma partido na questão, mas que levanta as diversas preocupações sobre o consumo humano justamente de um alimento tão importante na dieta, como o feijão é no Brasil.
Os criadores e defensores do feijão transgênico argumentam justamente que o alimento geneticamente modificado não produz "proteínas estranhas", mas tão-somente microRNAs para atacar o vírus.
E, acrescentam eles, "não há evidências de que esse armamento molecular seja perigoso para os humanos."
Não havia, porque agora a pesquisa do Dr. Zhang mostra uma participação dos RNAs dos alimentos no organismo humano em uma intensidade que nem os mais severos críticos dos alimentos transgênicos sonhavam.
Preocupação séria
Enquanto estudos anteriores não ofereceram indícios de que os genes geneticamente modificados dos alimentos alterem a fisiologia humana, o estudo de Zhang sugere que todas as plantas que comemos modificam nossa expressão genética durante o tempo que continuarmos nos alimentando delas.
Uma questão extremamente séria.
E deve-se levar em conta que os estudos anteriores nunca pesquisaram uma situação na qual um alimento geneticamente modificado será consumido diariamente por uma população, eventualmente ao longo de toda a sua vida, como será o caso do feijão no Brasil.
Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo
Fonte: Inovacao Tecnologica

Este gráfico mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.[Imagem: Vitali et al.]
Além das ideologias
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.
Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.
A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça.
Brasil precisa da Engenharia de Sistemas Complexos
Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."
Rede de controle econômico mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.
O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.
Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.
O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.
A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.
Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.
Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.
Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.
E isso não é tudo.
Super-entidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.
E a maioria delas são bancos.
Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.
Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.
Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.
A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.
Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.
As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas
Barclays plc
Capital Group Companies Inc
FMR Corporation
AXA
State Street Corporation
JP Morgan Chase & Co
Legal & General Group plc
Vanguard Group Inc
UBS AG
Merrill Lynch & Co Inc
Wellington Management Co LLP
Deutsche Bank AG
Franklin Resources Inc
Credit Suisse Group
Walton Enterprises LLC
Bank of New York Mellon Corp
Natixis
Goldman Sachs Group Inc
T Rowe Price Group Inc
Legg Mason Inc
Morgan Stanley
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
Northern Trust Corporation
Société Générale
Bank of America Corporation
Lloyds TSB Group plc
Invesco plc
Allianz SE 29. TIAA
Old Mutual Public Limited Company
Aviva plc
Schroders plc
Dodge & Cox
Lehman Brothers Holdings Inc*
Sun Life Financial Inc
Standard Life plc
CNCE
Nomura Holdings Inc
The Depository Trust Company
Massachusetts Mutual Life Insurance
ING Groep NV
Brandes Investment Partners LP
Unicredito Italiano SPA
Deposit Insurance Corporation of Japan
Vereniging Aegon
BNP Paribas
Affiliated Managers Group Inc
Resona Holdings Inc
Capital Group International Inc
China Petrochemical Group Company
Bibliografia:
The network of global corporate control
Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston
arXiv
19 Sep 2011
http://arxiv.org/abs/1107.5728
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Biocombustíveis podem ser solução para poluição dos aviões
Fonte: Site Inovação Tecnológica
Poluição dos aviões
A aviação é responsável pela emissão de 2% de gás carbônico e de 3% de todos os tipos de gases de efeito estufa (GEEs) e poderá triplicar esses números até 2050 se nenhuma ação for tomada.
O alerta foi dado por Guilherme Freire, diretor de estratégias em meio ambiente e tecnologias da Embraer, em apresentação na primeira BBEST - Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference), que ocorre até o dia 18 de agosto em Campos do Jordão, interior de São Paulo.
Segundo o executivo, a aviação emitiu 628 milhões de toneladas de gás carbônico em 2010, e as projeções indicam que as emissões chegarão à casa do 1,2 bilhão ou 1,4 bilhão de tonelada em 2030, dependendo do cenário de crise ou crescimento econômico.
A expansão está relacionada especialmente ao desenvolvimento do setor nos países em desenvolvimento.
"Apesar da elevação das emissões, a aviação evoluiu tecnologicamente para reduzi-las, especialmente no que se refere ao aumento da eficiência dos combustíveis. Se o desenvolvimento tecnológico tivesse estacionado ao obtido nos anos 1990, o setor estaria emitindo 1 bilhão de toneladas de gás carbônico hoje. A meta global do setor é reduzir em 50% as emissões em 2050, comparado com os números de 2005", disse.
Biocombustíveis para aviões
Freire explicou que o uso de biocombustível não pode requerer mudanças drásticas nos aviões ou nos motores existentes, por questão de custo. "Qualquer alteração substancial na configuração de um avião ou em seu motor gera impactos, principalmente na questão da segurança, o que eleva o preço do avião e pode tornar inviável o uso de biocombustível", destacou.
Também para não ampliar os custos, é preciso obter biocombustíveis que possam ser misturados ao já utilizado e que não precisem de infraestrutura específica e diferenciada para serem utilizados.
Do ponto de vista técnico, um dos maiores desafios é manter a estabilidade térmica e a boa fluidez nas altas altitudes. Do contrário, pode haver congelamento do combustível nos tanques.
"Ou seja, bioetanol e biodiesel para automóveis não são compatíveis com as demandas requeridas pelo biocombustível para aviação. É preciso harmonizar, em nível global, os critérios de sustentabilidade", disse Freire.
Competição pela biomassa
Ele também afirmou que a diversificação de matérias-primas para biocombustíveis é uma preocupação. "Não só a aviação precisa ser sustentável, mas outros segmentos da indústria também. A competição pela biomassa entre indústrias é uma questão-chave", apontou.
Entre as aplicações industriais que levam à competição pelo uso da biomassa, Freire identificou o combustível para automóveis, para aviação, para veículos pesados, como caminhões, e para produção de lubrificantes, produtos da química fina e polímeros.
Freire também falou sobre alguns testes já feitos por companhias aéreas com o uso de biocombustíveis, como o da Continental Airlines, em 2009, que usou alga e jatropha (planta da família Euphorbiaceae) como matéria-prima e uma mistura de 50% desse biocombustível em um dos motores.
Outro exemplo é o da TAM, que em novembro de 2010 usou jatropha e também 50% de mistura em um motor. Um dos últimos testes em voo foi feito em 1º de abril deste ano, pela Interjet, com uma mistura de 27% de biocombustível produzido a partir da jatropha em um motor.
Primeiro biocombustível para aviação
O executivo da Embraer citou a ASTM 4054 (Standard Practice for Qualification and Approval of New Aviation Turbine Fuels and Fuel Additives), iniciativa internacional para certificação do primeiro biocombustível para aviação comercial e que envolve empresas como Boeing, Airbus, Honeywell, Rolls Royce, GE e outras.
Em julho de 2011, a ASTM certificou o primeiro processo para produção de biocombustível, chamado de HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) - ésteres hidroprocessados e ácidos graxos).
No Brasil, Embraer, Amyris, GE e a empresa aérea Azul participam de um consórcio que está desenvolvendo o processo DSHC (Direct Sugar to Hidrocarbon Process), um dos que devem ser certificados pela ASTM até 2015.
Junto com as empresas Amyris e Virent, o processo usa reações catalíticas e fermentação bioquímica feita por organismos geneticamente modificados para produzir as moléculas de hidrocarbonetos para o biocombustível. O produto será testado pela Azul no ano que vem.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Bill Gates quer reinventar o vaso sanitário
Fonte: Site Inovação Tecnológica
Banheiro sem água e sem esgoto
A Fundação Bill & Melinda Gates anunciou que irá custear uma pesquisa para "reinventar a privada".
O objetivo do projeto é desenvolver novas tecnologias para o processamento de dejetos humanos sem qualquer ligação a linhas de água, energia ou esgoto.
Para Gates, a privada ideal para os países em desenvolvimento deve ser auto-sustentável, de custo acessível e sem ligações a linhas de energia, água ou esgoto, que quase nunca estão disponíveis nas condições em que o novo sanitário deverá ser utilizado.
Plasma de micro-ondas
A tarefa de reinventar o vaso sanitário caberá a um grupo de cientistas e engenheiros da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, sob a coordenação do professor Georgios Stefanidis.
"Vamos aplicar a tecnologia de micro-ondas para transformar os dejetos humanos em eletricidade. A partir desta inovação, pretendemos idealizar o design e construir um protótipo modular para um banheiro completo que satisfaça as urgentes necessidades do mundo em desenvolvimento," afirmou Stefanidis.
Inicialmente os dejetos humanos serão secos. Em seguida, os resíduos sólidos serão gaseificados utilizando plasma, criado por micro-ondas em um reator apropriado.
Este processo vai gerar o chamado gás de síntese, uma mistura de monóxido de carbono (CO) e hidrogênio (H2). O gás de síntese será então usado para alimentar um conjunto de células de combustível de óxidos sólidos (SOFC: solid oxide fuel cell) para a geração de eletricidade.
"Para que o processo seja energeticamente auto-suficiente, parte da eletricidade produzida será usada para ativar a gaseificação a plasma, enquanto o calor recuperado do fluxo de gás de síntese e dos gases de escape das células de combustível será usado para a secagem dos resíduos," explica o pesquisador.
Privada barata
Aproximadamente 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso ao saneamento básico. O impacto negativo dessa situação sobre a saúde dessas populações é enorme.
Para mudar esta situação, Bill Gates e sua esposa acreditam que a solução é reinventar o vaso sanitário.
E, como o projeto é voltado para atender às necessidades dos países em desenvolvimento, uma das exigências é que o banheiro sem água e sem esgoto possa ser construído a custos acessíveis.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Não é tão fácil ser um consumidor verde
Fonte: Diário da Saúde
Produtos verdes
Será que as pessoas que defendem estilos de vida mais ambientalmente amigáveis estão dispostas a fazer sacrifícios por isto?
Infelizmente, a própria pergunta parece ser mal feita.
Isto porque, segundo um estudo realizado por cientistas da Noruega, o fato de ser "verde" não é o aspecto de um produto mais avaliado pelos consumidores.
Por exemplo, os consumidores não parecem dispostos a trocar sua segurança por aspectos mais verdejantes daquilo que compram - não vendo nisso nenhum "descompromisso" com suas preocupações ambientais.
Hiato Valor-Ação
A Noruega é frequentemente citada como um dos países mais ecologicamente conscientes, e está classificada na 5ª posição dentre 163 países na escala Indicador de Desempenho Ambiental (Environmental Performance Indicator).
A pesquisa realizada por Erik Farstad, Damir Ljubuncic e Erik Olson, contudo, mostra que muitos noruegueses não estão dispostos a sacrificar a qualidade tradicional e os atributos de desempenho a fim de ter um produto mais verde.
A contradição entre o desejo declarado de um ambiente mais limpo e sustentável e um consumo gerador de elevados níveis de emissão de poluentes tem sido chamada de hiato Valor-Ação.
Mas são poucas as pesquisas empíricas que abordam a importância relativa dos atributos verdes em situações reais de compra.
Atributos verdes
Os atributos verdes podem tornar difícil a escolha de produtos porque isto frequentemente força os consumidores a fazer concessões sobre outros atributos "convencionais" importantes, como confiabilidade, desempenho, conveniência e preço.
Isso cria impasses para o consumidor, porque quase sempre é impossível "ter tudo".
O propósito dos cientistas noruegueses foi examinar a importância relativa dos atributos verdes quando eles são negativamente correlacionados com outros atributos importantes em duas categorias de produtos com forte impacto ambiental: os automóveis e os eletrônicos de consumo.
Os carros, por exemplo, normalmente alcançam maior eficiência de combustível e emissões de poluentes mais baixas à custa de outros atributos, como desempenho - motores econômicos normalmente têm menos potência - e preço - tecnologias de economia de combustível são mais caras, como carros elétricos ou híbridos.
Tecnologia e segurança
Durante a pesquisa, os entrevistados receberam uma lista com 9 diferentes TVs e 9 diferentes carros.
Eles tinham que avaliar duas medidas: 1) uma escala de intenção de compra de 7 pontos, e 2) uma questão aberta sobre o "montante que esperavam pagar".
Em termos gerais, os resultados mostram que, para a TV, os atributos mais importantes para explicar as intenções de compra são a tecnologia da tela e o tamanho da tela.
Para os carros, o atributo mais importante para explicar as intenções de compra é a segurança, enquanto o menos importante é a tecnologia do motor.
Consumo de energia
Para ambos os produtos, o atributo consumo de energia explica menos de 25% da variância total da intenção de compra.
Com o preço esperado como uma variável dependente, os dados das TVs indicam que a economia de energia tem apenas 1/30 do valor financeiro dado ao tamanho da tela - com a preferência claramente recaindo em tamanhos maiores, que consumem mais energia elétrica.
Para os carros, as características menos verdes do produto - ou seja, carros mais rápidos e mais seguros - são os dois atributos mais valorizados financeiramente.
Uso de alimentos refinados aumenta risco de doenças
Fonte: diário da saúde
Há 35 anos, os cursos de medicina consideravam o diabetes como uma doença que atingia geralmente idosos. Atualmente crianças nascem diabéticas.
Na Alemanha, há 100 anos, a cada trinta pessoas, uma tinha câncer; as estatísticas recentes na Europa apontam que, a cada três pessoas, uma teve, tem ou terá a doença - nos Estados Unidos o grupo é reduzido para duas pessoas.
Essas são algumas das constatações do especialista em terapêutica natural, Dr. Fernando Hoisel, da Universidade Federal da Bahia.
Alimentos terapêuticos
O especialista foi enfático ao relacionar o modo de vida, em especial os costumes alimentares, após a Revolução Industrial, ao crescimento exponencial dos casos de doenças cardíacas, obesidade, diabetes e câncer.
Para Hoisel, que tem 35 anos de atuação na área, nas últimas quatro décadas os hábitos alimentares da humanidade mudaram mais do que nos 40 mil anos anteriores.
O especialista destaca a importância de levar informação para a população e desmistificar preconceitos existentes sobre o consumo de alimentos de modo terapêutico e sobre alimentação saudável.
Perigo dos alimentos refinados
A farinha de trigo refinada - que substituiu a farinha integral por oferecer maior durabilidade - e o açúcar e o sal refinados - que após o processo de refinamento perdem mais de 80 nutrientes e ganham sete substâncias duvidosas que lhes conferem o aspecto conhecido (branco e seco) - são, para Hoisel "os três assassinos brancos" e correspondem aos principais vilões da saúde.
Ao passo que esses alimentos tornaram-se comercialmente viáveis, aumentou-se a distribuição e o consumo. Dados trazidos pelo especialista indicam, por exemplo, que o consumo de açúcar que 80 anos atrás era de 4kg ao ano por pessoa, atualmente é em média 70 kg/ano por pessoa.
Outro fator é o uso dos agrotóxicos no cultivo dos alimentos.
Para Hoisel, que integra o Movimento de Agricultura Orgânica, o efeito medicinal de frutas e verduras é muito maior do que os possíveis efeitos nocivos dos produtos químicos aplicados. Ele ainda alerta que o uso desses produtos em carnes e laticínios tem sido muito maior do que o presente em frutas e verduras.
Medicina tradicional
Fernando Hoisel queixa-se em relação ao modo tradicional de atuar e ensinar medicina.
Ele questiona, inclusive, essa tradição, justificando que a medicina com plantas e alimentação é anterior à medicina "sustentada pela indústria farmacêutica, que vive da cronificação das doenças".
Outro ponto de desacordo apresentado se refere à exclusão de disciplinas que estudam o uso de alimentos e plantas no curso de medicina. "Não são os remédios que dão saúde, o que dá saúde é deixar de fazer aquilo que está causando a doença", declara.
Doenças em números
Os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que a proporção de brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial cresceu de 21,5%, em 2006, para 24,4%, em 2009.
A mesma pesquisa reforça o que Fernando Hoisel afirma: o acesso à informação é um facilitador à melhor condição de vida. Entre os adultos com até oito anos de educação formal, 31,5% declaram que têm hipertensão. O percentual cai para 16,8% se considerado o grupo de pessoas de nove a 11 anos de instrução.
No mesmo ano, a edição 2009 da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) indica aumento dos casos de obesidades: dos 54 mil entrevistados, 46,6% foram considerados com excesso de peso e 13,9% com obesidade - o que corresponde a um crescimento de quase 4% no primeiro caso e de 2,5% no segundo, comparando os anos de 2006 e 2009.
Os números também são alarmantes para casos de diabetes, segundo o Ministério da Saúde, 5,8% da população a partir dos 18 anos têm diabetes tipo 2, o equivalente a 7,6 milhões de brasileiros.
Quando a tecnologia vira lixo: os efeitos adversos do lixo eletrônico
Fonte: diário da saúde
Eletrônicos no ar
Além de seu efeito nocivo sobre o meio ambiente e o contrabando ilegal para os países em desenvolvimento, os pesquisadores agora associaram o lixo eletrônico a efeitos adversos sobre a saúde humana.
Os danos incluem a inflamação e o estresse oxidativo, precursores de doenças cardiovasculares, danos ao DNA e, possivelmente, câncer.
Em um estudo publicado no jornal científico Environmental Research Letters, os pesquisadores recolheram amostras de ar em uma das maiores áreas de desmantelamento de lixo eletrônico na China e examinaram seus efeitos sobre as células epiteliais do pulmão humano.
Lixo eletrônico
O lixo eletrônico inclui aparelhos elétricos e eletrônicos que chegaram ao fim de sua vida útil, como computadores, televisores, impressoras e telefones celulares.
Grande parte do lixo eletrônico de todo o mundo é exportada para a China.
Devido à forma como é feito o processo de reciclagem, a céu aberto, são liberados muitos poluentes, tais como poluentes orgânicos persistentes e metais pesados, que podem facilmente se acumular no corpo humano através da inalação do ar contaminado.
Inflamação e estresse oxidativo
Depois de expor as células pulmonares cultivadas em laboratório aos constituintes orgânico-solúveis e solúveis em água das amostras de ar, os pesquisadores testaram os níveis de interleucina-8 (IL-8), um importante mediador da resposta inflamatória, e Espécies Reativas de Oxigênio (ROS), moléculas quimicamente reativas que, quando em excesso, podem causar grandes danos à saúde.
As amostras também foram testadas para a expressão do gene p53 - um gene supressor de tumor que produz uma proteína que ajuda a neutralizar os danos celulares. A expressão desse gene pode ser vista como um marcador de danos celulares em andamento.
Os resultados mostraram que as amostras de poluentes causaram aumentos significativos tanto do IL-8 quanto dos níveis de ROS - indicadores de uma resposta inflamatória e estresse oxidativo, respectivamente.
Aumentos significativos também foram observados nos níveis da proteína p53, com o risco dos poluentes orgânico-solúveis sendo muito muito maiores do que os poluentes solúveis em água.
"Tanto a resposta inflamatória quanto o estresse oxidativo podem ocasionar danos ao DNA, o que poderia induzir a oncogênese, ou até mesmo câncer. Naturalmente, a resposta inflamatória e o estresse oxidativo também estão associados com outras doenças, como as doenças cardiovasculares," explicou o Dr. Fangxing Yang, da Universidade de Zhejiang.
Desmantelamento primitivo
Agora os cientistas vão prosseguir o estudo, para tentar caracterizar os componentes presentes no ar poluído e identificar os principais contribuintes para estes efeitos adversos.
"A partir destes resultados fica claro que o desmantelamento 'aberto' do lixo eletrônico deve ser proibido, melhorando estas técnicas mais primitivas. Como os resultados mostram potenciais efeitos adversos à saúde humana, os trabalhadores nesses locais também devem receber a proteção adequada," afirmou o cientista.
"Além disso, deve-se considerar o processo de fabricação inicial dos produtos elétricos e eletrônicos, buscando utilizar materiais mais amigáveis ao meio ambiente e aos humanos," concluir Yang.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Chinês bebe gasolina há 42 anos como remédio para tosse e dor de garganta
Fonte: Uol

Um chinês de 71 anos, morador da cidade de Chongqing, bebe gasolina e querosene há 42 anos, já que segundo ele são bons para curar tosse e dores de garganta, informou nesta quarta-feira o diário "Global Times".
Chen De, que tem apenas 1,50 metro de estatura e é muito magro, disse que bebe entre três e quatro litros de gasolina por mês.
O idoso lembra que começou a consumir querosene em 1969, quando uma pessoa recomendou o combustível como remédio para tratar uma tosse muito forte que o afligia, e seguiu a fazer isso ao confirmar que suavizava sua garganta.
A gasolina chegou depois, quando a venda de querosene sofreu restrições no país asiático.
Chen, que calcula ter consumido neste tempo uma tonelada e meia destes combustíveis, defende que as "bebidas" foram muito benéficas para sua saúde.
Os filhos de Chen tentaram convencê-lo a deixar de beber os combustíveis, mas ele sempre se negou e, cansado desta insistência, há oito anos vive sozinho.
Inteirados do caso de Chen, médicos do hospital Honglou, em Chongqing, o visitaram e ofereceram a ele um tratamento gratuito para controlar sua doença, mas o idoso recusou a oferta, dizendo que sua saúde esteve muito bem nos últimos anos.
Os médicos confirmaram que a saúde de Chen é normal, embora tenha os pulmões um pouco inflamados, e disseram que seu corpo já deve ter se acostumado ao consumo de combustível como uma dependência.
Segundo calcula o "Global Times", a quantidade de combustível que Chen consumiu nos últimos 42 anos seria suficiente para percorrer 21.600 quilômetros de carro.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Maconha natural torna alimentos gordurosos irresistíveis
Fonte: Site Diário da Saúde
Químicos "tipo maconha"
Um estudo revelou que a gordura contida em alimentos como batatas fritas desencadeia um mecanismo biológico de gula no organismo que atua de modo similar aos efeitos da maconha.
A pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Califórnia, descobriu que quando provaram comidas gordurosas, ratos, utilizados como cobaias na pesquisa, começaram a produzir substâncias químicas conhecidas como endocanabinoides.
Os endocanabinoides são uma espécie de lipídios biologicamente ativos, que exercem um efeito semelhante ao da maconha sobre o indivíduo.
Da língua ao intestino
O processo, relata a pesquisa, tem início na língua, onde as gorduras contidas no alimento geram um sinal que viaja do cérebro, através de um feixe de nervos conhecido como nervo vago, para o intestino.
Lá, ocorre o estímulo na produção de endocanabionoides, e a substância provoca uma onda de ativação celular, que induz à ingestão desenfreada de alimentos gordurosos.
Uma pesquisa brasileira recentemente mostrou que esses compostos químicos derivados da maconha também podem aliviar ansiedades provocadas por traumas psicológicos.
Maconha natural do corpo
"Nós sabemos que comidas gordurosas podem ter um um bom sabor, mas os mecanismos moleculares e sinais por trás dessa resposta eram desconhecidos. Agora sabemos que comidas gordurosas geram um sinal na língua que leva o intestino delgado a produzir as substâncias químicas conhecidas como a maconha natural do corpo humano, que induzem ao consumo de gordura," afirma Daniele Piomelli, que comandou a pesquisa.
A pesquisa pode indicar novos caminhos na luta para conter a obesidade e outras doenças, segundo os cientistas envolvidos no estudo.
A ampla disponibilidade de alimentos gordurosos em países industrializados é considerada um fator determinante para condições como a obesidade, diabetes, câncer e doenças cardiovasculares.
Combatendo o vício
O estudo sugere que pode ser possível conter a compulsão de se comer alimentos gordurosos ao se obstruir atividades endocanabinoide, por meio da utilização de medicamentos que bloqueiam a ação desses lipídios.
Como tai drogas bloqueadoras não precisam penetrar no cérebro, elas não teriam porque causar efeitos colaterais, como ansiedade e depressão, que surgem quando a ação endocanabinoide é bloqueada no cérebro, conta Piomelli.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Proteínas do aprendizado: Faça intervalos nos estudos para aprender melhor
Fonte: Site Diário da Saúde
Estudar e repousar
Há muito se sabe que as memórias são mais propensas a se manter se a aprendizagem incluir períodos regulares de repouso.
Por exemplo, cientistas e educadores sabem há muito tempo que estudar até a exaustão não é uma forma eficaz de se lembrar da matéria na hora da prova.
O que não se sabia era por que ou como isso acontece.
Agora, pesquisadores do Instituto RIKEN, no Japão, elucidaram um mecanismo neurológico que ajuda a explicar por que isso acontece.
Consolidação da memória
Os resultados sugerem que a síntese de proteínas no cerebelo tem um papel fundamental na consolidação da memória, lançando luz sobre os processos neurológicos fundamentais que regem a memória.
O "efeito de espaçamento", descoberto pela primeira vez mais de um século atrás, descreve a observação de que os seres humanos e animais são capazes de lembrar as coisas de forma mais eficaz se o aprendizado estiver distribuído por um longo período de tempo, em vez de ser tentado de uma única vez.
Acredita-se que esse efeito esteja intimamente ligado ao processo de consolidação da memória, no qual as memórias de curto prazo são estabilizadas e "transformadas" em memórias de longo prazo.
Intervalos durante os estudos
Pesquisas anteriores sugeriram que este efeito de espaçamento é produto da transferência do traço de memória dos flóculos, uma região do córtex cerebelar que se liga ao núcleo motor envolvido no movimento dos olhos, para outra região do cérebro, conhecida como núcleo vestibular.
Em um estudo com animais, os pesquisadores japoneses descobriram que o efeito espaçamento foi anulado quando essa via de transferência foi inibida com drogas - anisomicina e actinomicina D, antibióticos que inibem a síntese protéica.
Esta descoberta sugere que as proteínas produzidas durante o aprendizado desempenham um papel fundamental na formação das memórias de longo prazo.
Esta é a primeira vez que se consegue uma explicação neurológica para os benefícios conhecidos da aprendizagem espaçada - bem como uma ótima desculpa para fazer mais intervalos durante os estudos.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Vamos acabar com as notas
Fonte: http://www.posgraduando.com/?p=2527
Por Stephen Kanitz*
Damos notas a hotéis, a videogames e a tipos de café. Mas faz sentido dar notas a seres humanos como fazem as escolas e nossas universidades? Ninguém dá a Beethoven ou à Quinta Sinfonia uma nota como 6.8, por exemplo.
O que significa dar uma “nota” a um ser humano? Que naquele momento da prova, ele sabia x% de tudo o que os professores gostariam que ele soubesse da matéria. Mas saber “algo” significa alguma coisa hoje em dia? Significa que você criará “algo” no futuro? Que você será capaz de resolver os inúmeros problemas que terá na vida? Que será capaz de resolver os problemas desta nação?
É possível medir a capacidade criativa de um aluno? Quantos alunos tiraram nota zero justamente porque foram criativos ou criativos demais? Por isso, não damos notas a Beethoven nem a Picasso, não há como medir criatividade.
Muitos vão argumentar que o problema é somente aperfeiçoar e melhorar o sistema de notas, que obviamente não é perfeito e as suas falhas precisam ser corrigidas.
Mas e se, em vez disso, abolíssemos o conceito de notas? Na vida real, ninguém nos dará notas a cada prova ou semestre. Você só perceberá que não está sendo promovido, que as pessoas não retornam mais seus telefonemas ou que você não está mais agradando.
Aliás, saber se você está agradando ou não é justamente uma competência que todo mundo deveria aprender para poder ter um mínimo de desconfiômetro. Ou seja, deveríamos ensinar a auto-avaliação. Com os alunos se auto-avaliando, dar notas seria contraproducente. Não ensinamos a técnica de auto-avaliação, tanto é que inúmeros profissionais não estão agradando nem um pouco como professores e, mesmo assim, se acham no direito de dar notas a um aluno.
O sistema de “dar” notas está tão enraizado no nosso sistema educacional que nem percebemos mais suas nefastas conseqüências. Muitos alunos estudam para tirar boas “notas”, não para aprender o que é importante na vida. Depois de formados, entram em depressão pois não entendem por que não arrumam um emprego apesar de terem tido excelentes “notas” na faculdade. Foram enganados e induzidos a pensar que o objetivo da educação é passar de ano, tirar nota 5 ou 7, o mínimo necessário.
Ninguém estuda mais pelo amor ao estudo, mas pelas cenouras que colocamos na sua frente. Ou seja, as “notas” de fim de ano. Educamos pelo método da pressão e punição. Quando adultos, esses jovens continuarão no mesmo padrão. Só trabalharão pelo salário, não pela profissão.
Se o seu filho não quer estudar, não o force. Simplesmente corte a mesada e o obrigue a trabalhar. Ele logo descobrirá que só sabe ser menino de recados. Depois de dois anos no batente ele terá uma enorme vontade de estudar. Não para obter notas boas, mas para ter uma boa profissão.
Robert M. Pirsig, o autor do livro Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas, testou essa idéia em sala de aula e, para sua surpresa, os alunos que mais reclamaram foram os do fundão. São os piores alunos que querem notas e provas de fim de ano. Os melhores alunos já sabem que passaram de ano, muitos nem se dão ao trabalho de buscar o diploma.
Sem notas, os piores alunos seriam obrigados a estudar, não poderiam mais colar nas provas e se auto-enganar. Provas não provam nada, o desempenho futuro na vida é que é o teste final.
Imaginem um sistema geral de auto-avaliação em que os alunos não mais estudariam para as provas, mas estudariam para ser úteis na vida. Imaginem um sistema educacional em que a maioria dos alunos não esqueceria tudo o que aprendeu no 1º ano, mas, pelo contrário, se lembraria de tudo o que é necessário para sempre.
Criaríamos um sistema educacional em que o aluno descobriria que não é o professor que tem de dar notas, é o próprio aluno. Todo mês, todo dia, todo semestre, pelo resto de sua vida.
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*Stephen Kanitz é Professor Titular da FEA/USP e administrador por Harvard .
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Brasileiros criam solvente universal, que dissolve quase qualquer coisa
Fonte: Site Inovação Tecnológica
Universol
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) descobriram e depositaram pedido de patente de um composto que dissolve praticamente qualquer material orgânico ou inorgânico.
O agente resolve um problema antigo ao ser capaz de dissolver sem alterar a composição química da substância.
A dissolução é um passo essencial para a análise de amostras, usada para avaliações de controle de qualidade ou da presença de componentes inorgânicos ou orgânicos, tóxicos ou não.
Os autores da descoberta são os professores Claudio Luis Donnici e José Bento Borba da Silva, do Departamento de Química da UFMG.
A substância, registrada com a marca Universol, está pronta para ser aplicada e ter sua tecnologia transferida a empresas que desejem produzir e comercializar o produto em larga escala.
Solvente universal
Segundo Donnici, o Universol é útil, por exemplo, para mostrar se um cosmético ou um alimento contém metal pesado, ou se a casca de uma árvore a ser utilizada para produzir um medicamento está contaminada com metais ou substâncias tóxicas.
"Ele também dissolve rapidamente carnes, unha, cabelo, pele, sementes, cereais ou qualquer outra matéria orgânica", comenta o professor.
Segundo Donnici, o composto é um agente solubilizante simples, eficiente e reprodutível, que dissolve praticamente qualquer tipo de amostra em um tempo que varia de um a 30 minutos. "Por isso pode ser considerado um agente solubilizante praticamente universal".
Outra vantagem do solvente é promover a solubilização à temperatura ambiente e, em quase todos os casos, sem necessidade de uso de métodos adicionais, como ultrassom e micro-ondas.
"Apesar do seu enorme poder solubilizante, o Universol é um reagente seguro, que pode ser manipulado sem complicações em qualquer laboratório e com a utilização de frascos de vidro ou de plástico (tipo eppendorf) comuns", informa.
Solubilização rápida
Claudio Donnici ressalta que outros agentes conhecidos de solubilização demoram cerca de 12 horas para dissolver, por exemplo, amostras de unhas ou de fios de cabelo, enquanto o Universol realiza essa solubilização em cerca de 30 minutos.
"Com o desenvolvimento desse método, mais simples e adequado para preparação de amostras, evitam-se dissoluções ácidas, extrações e outras dificuldades para o uso de técnicas espectrométricas de análise química, tornando-o mais viável para análises de grande quantidade de qualquer tipo de amostras para avaliação da sua composição química, especialmente quanto aos componentes inorgânicos", explica.
A equipe realizou testes com diversos materiais e demonstrou a eficácia do agente em alimentos, desde bebidas a cereais a sementes; em qualquer tecido animal ou vegetal; amostras minerais e inorgânicas ou biológicas, a exemplo de cogumelos, insetos e microrganismos, bem como em resíduos biológicos e materiais petroquímicos da área de cosméticos, o que possibilitou a realização de testes cromatográficos e espectrométricos, para análises das mais diversas.
"O grande trabalho foi mostrar o escopo e a confiabilidade da técnica para os mais variados tipos de amostra", informa Donnici.
Simplicidade impressionante
Donnici conta que os estudos foram patrocinados por um programa da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), cujo objetivo era consolidar estudos ambientais avançados.
"A intenção era estabelecer novas tecnologias científicas e computacionais para o monitoramento ambiental e análise de poluentes. Dentre as várias descobertas realizadas nesses anos de pesquisas, destacamos o desenvolvimento do Universol", comenta.
"O problema preliminar de análise química orgânica ou inorgânica dos mais diversos materiais é obter a total dissolução das amostras, com a formação de soluções homogêneas, de modo a não alterar sua composição química", esclarece.
Donnici revela que a equipe ficou impressionada com o que descobriu, uma vez que a composição é relativamente simples e barata, "de alta eficiência e rapidez e de escopo e aplicabilidade enormes".
terça-feira, 31 de maio de 2011
Agrotóxicos contaminam água e até o leite materno
Fonte: Diário da Saúde
Impacto dos agrotóxicos
Educação e fiscalização.
Estes são os dois principais aspectos para conter os danos provocados pela utilização dos agrotóxicos na agricultura brasileira.
A conclusão é do pesquisador Josino Costa Moreira, da Fiocruz , que coordenou estudos sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde e ambiente na região centro-oeste e nordeste do país.
"Os agrotóxicos contaminam os alimentos, o ambiente e selecionam as espécies mais resistentes em determinado local. Esse impacto chega ao homem tanto pela exposição direta nas lavouras como pelas alterações que ele provoca no ambiente", alertou.
Triste recorde
De acordo com Josino, o Brasil compõe a lista dos principais consumidores de agrotóxicos. Em volume, é o maior do mundo, sendo também, um dos primeiros quando se observa o consumo por hectare plantado.
Dessa forma, o pesquisador direcionou uma de suas pesquisas à região que mais produz soja e grãos no país.
"O Estado do Mato Grosso foi o que mais consumiu pesticidas no Brasil em 2008 e 2009. É o que mais produz soja, e isso traz um grande impacto no ambiente, pois lá temos biomas importantes, e essa utilização vem acompanhada de vários riscos, já que o cerrado e mesmo a floresta estão sendo substituídos por áreas de cultivo".
Agrotóxicos no leite materno
A pesquisa evidenciou grande contaminação em pessoas, segmentos ambientais, ar e animais.
"Observamos contaminação em águas de rios, chuva e de poços artesianos, por exemplo. Outro resultado obtido foi em relação à contaminação de anfíbios. Animais que habitam as áreas contaminadas apresentaram alterações morfológicas mais frequentes quando comparadas às mesmas espécies que habitam áreas não contaminadas. Achamos um aumento de mais de 50% de deformações nessas áreas", justificou.
O estudo também observou as minhocas. "Comparamos a situação dessas espécies nos dois ambientes. Ficou comprovado que os herbicidas estudados (2,4 D e glifosato), quando não matam, impedem a reprodução da minhoca. Também foram encontrados resíduos de agrotóxicos no leite materno. Apesar de estarem em níveis muito baixos, podem, eventualmente, comprometer o desenvolvimento normal ou a saúde dos bebês."
Educação
O crescimento do agronegócio no país é preocupante, segundo o pesquisador. Porém, deve ser enfrentado com duas ações.
"O primeiro fator para solucionar esse problema é a educação!
"Conscientizando a população de que os agrotóxicos contaminam os alimentos, o ambiente, o homem, além de selecionarem as espécies mais resistentes em determinado ambiente, fica mais fácil trabalharmos.
"Por conta disso, nossa linha de ação busca focalizar a educação em todos os níveis, mas, principalmente, na escola primária.
"O trabalhador ficará mais sensibilizado se a informação vier pela fala de seu filho, pois, para eles que já trabalham há muito tempo com a substância, é difícil relacionar seus problemas de saúde ao uso dos agrotóxicos," afirmou
Fiscalização
Outra linha de ação, na opinião do pesquisador, deve ser a fiscalização.
Nesse aspecto, o Brasil vem deixando a desejar.
"O governo tem de ser ativo na fiscalização e orientação das pessoas, particularmente dos trabalhadores rurais. Eles acabam sendo os responsáveis pela manipulação dessas substâncias que são tóxicas em alguma extensão.
"A falta de suporte técnico e científico a estes trabalhadores na utilização dos produtos é uma das falhas que estamos cometendo," completa.
Sobre os agrotóxicos
Veja outras reportagens publicadas no Diário da Saúde sobre os perigos dos agrotóxicos.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Átomos individuais podem nunca ter sido vistos
Fonte: Site Inovação Tecnológica
Microscópios capazes de fazerimagens de átomos, e até imagens de átomos neutros, não são nenhuma novidade, e podem ser comprados no comércio.
O público também já se acostumou com imagens como as do lado, geradas pela varredura dos materiais pelas finíssimas pontas desses microscópios eletrônicos.
Mas agora um grupo de cientistas da Espanha e da República Checa afirma que o que se vê nestas imagens não são os átomos - os pontos brilhantes seriam na verdade o espaço entre os átomos, que sequer aparecem na foto.
Microscópios que fotografam átomos
O nascimento da nanotecnologia está intimamente vinculado ao surgimento dos microscópios capazes de gerar imagens em escala atômica.
Os chamados microscópios eletrônicos de varredura por tunelamento (STM - Scanning Tunnelling Microscope) foram os primeiros a atingir uma resolução suficiente para detectar os átomos.
Ora, se há até microscópios no mercado que prometem fazer imagens de átomos, como pode-se agora dizer que o que eles enxergam não são os átomos?
Assunto delicado
Neste ponto, entra em cena um assunto delicado, daqueles sobre os quais dificilmente se fala em público: a "certeza" sobre as observações científicas.
É um assunto sobre o qual a maioria dos cientistas concorda, mas apenas tacitamente - qualquer referência a ele costuma colocar alguns acadêmicos na defensiva, gerando reações muito tenazes.
Desta forma, é melhor não tocar muito no assunto, que passa ainda mais ao largo das "preocupações" do público, que recebe uma visão mais dogmática do que seria a ciência, suas conclusões, suas provas e suas certezas.
Por exemplo, é comum que os cientistas usem termos como "evidências científicas" - coisas que falariam por si sós, independentemente de qualquer interpretação -, ou "comprovação científica", como algo que encerraria de vez um debate qualquer.
Na verdade, tudo o que a ciência coleta são indícios, e todas as conclusões dos cientistas são interpretações de determinados experimentos, nunca palavras finais. É por isso que você vê tantas vezes a palavra "pode" nas manchetes aqui do Site Inovação Tecnológica - "pode ser" é bastante diferente de "é", por mais que os indícios sugiram que seja.
Felizmente é assim, senão, como já temos teorias para quase tudo, chegaríamos à insensata conclusão de que sabemos tudo - o que seria a morte da própria Ciência enquanto instituição.
![Os cientistas já sabiam que essas imagens não são realmente imagens dos átomos, no sentido que se fala da fotografia de uma bola de gude, por exemplo. [Imagem: Ondrácek et al./PRL] Átomos individuais podem nunca ter sido vistos](http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010165110516-atomos-espacos.jpg)
Realidade, teorias e modelos
Que não se vá ao extremo oposto, propondo que nada do que a Ciência propõe seja válido ou substancial - por observação direta podemos ver o contrário. Mas não é razoável permanecer em um extremo só pelo risco de cair no outro - destacando mais uma vez que estamos levantando peculiaridades do processo de "comunicação da ciência", não do método científico.
Senão, vejamos: Os experimentos permitem a elaboração de teorias, e as teorias levam à construção de modelos, que são geralmente usados para descrever comportamentos e propriedades ou para prever eventos.
A teoria nunca equivale à realidade, é apenas uma interpretação dela. E o modelo quase nunca consegue abarcar toda a teoria.
Por exemplo, a Teoria da Relatividade, adequadamente restringida por várias simplificações úteis, levou ao modelo do Big Bang. Embora a maioria dos cientistas e a imprensa em peso fale do Big Bang como se ele fora um "fato histórico", sua conexão com a realidade é muito tênue - essa conexão é mediada por uma série de pressupostos, conjecturas e simplificações.
Obviamente, modelos e teorias não sobrevivem muito se não tiverem um bom poder explicativo - uma capacidade de explicar os fenômenos observados. Assim, modelos que sobrevivem são muito bons, provavelmente fundamentados em teorias excelentes - é o que acontece com o modelo do Big Bang e com a Teoria da Relatividade.
Mas isto não quer dizer que tais explicações durarão para sempre - de fato, pode-se dizer, com altíssimo índice de probabilidade de acerto, que elas não durarão por muito tempo da forma como estão hoje.
Mitos científicos
No mundo da física clássica, onde maçãs caem, ímãs atraem ferro e combustíveis queimam, a leitura do indício coletado no experimento se aproxima dos sentidos humanos - as leis da termodinâmica estão aí para exemplificar isto. Então, nesse nível, as teorias são propostas com maior nível de "aderência" ao real.
Talvez esteja aí a origem da mitologia das observações inquestionáveis, das conclusões definitivas e, finalmente, da ciência conclusiva e infalível.
Se, nesse nível, tais mitos já são questionáveis, tudo se complica quando o fenômeno a ser estudado se afasta dos sentidos humanos, seja em dimensões, seja em velocidade ou em qualquer outro aspecto.
Nesse caso, o cientista precisa construir equipamentos para fazer os experimentos. Esses equipamentos, contudo, são feitos segundo interpretações da realidade - só se constrói um microscópio para ver átomos depois que se aceita que átomos existem, e só se constrói os sensores capazes de detectar os átomos depois que se elaboraram teorias sobre o que se pode detectar em um átomo, e assim por diante.
Logo, qualquer que seja o resultado do experimento, e as conclusões que se tira dele, esse experimento tem, em sua sequência de execução, uma equivalente sequência de "intermediários", eivados de interpretações.
Nos complicados laboratórios modernos, com seus sensores e medidores ultra-sofisticados, existem várias "camadas" de interpretação, embutidas nas inúmeras peças que compõem esses equipamentos cada vez mais complexos.
É por isso que a usual referência a evidências, provas e certezas, como comumente se lê e se ouve, é algo tão distante da realidade daquilo que os cientistas realmente fazem.
![Não se trata apenas de ver uma imagem diretamente - é necessário interpretar exatamente o que o equipamento está detectando. [Imagem: Ondrácek et al./PRL] Átomos individuais podem nunca ter sido vistos](http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010165110516-resolucao-atomica-1.jpg)
Microscópios que não enxergam átomos
É isto o que agora é ilustrado pelo caso dos microscópios eletrônicos e das imagens que eles geram dos átomos.
Na verdade, mesmo antes do questionamento agora publicado, os cientistas já sabiam que essas imagens não são realmente imagens dos átomos, no sentido que se fala da fotografia de uma bola de gude, por exemplo.
Um microscópio de tunelamento por varredura usa uma minúscula ponta eletrificada, eventualmente com apenas um átomo em sua extremidade, que é passada, a uma pequena distância, sobre toda a extensão da amostra a ser observada.
A imagem é gerada medindo a corrente dos elétrons que tunelam entre a ponta do microscópio e a superfície da amostra.
Assim, o que a imagem mostra seriam, na verdade, variações espaciais na densidade do estado de elétrons da superfície da amostra próximas ao nível de Fermi - o nível de energia dos elétrons mais fracamente mantidos em um sólido.
Contudo, como a densidade dos estados nem sempre é o mais alto quando a ponta está diretamente acima dos átomos, não é possível saber com absoluta certeza se aqueles pontos brilhantes que aparecem nas imagens geradas pelo STM correspondem aos átomos ou ao espaço entre eles.
Primeiros princípios
Nesse caso, pode-se argumentar, que seria simplesmente uma questão se saber se estamos vendo uma imagem dos átomos ou um negativo da imagem dos átomos.
Infelizmente não é tão simples.
Ocorre que as imagens geradas são totalmente diferentes dependendo da estrutura e da composição da ponta do microscópio - no sentido discutido acima, a ponta individualmente representa uma "camada" de interpretação embutida na interpretação mais geral do resultado do experimento, ou seja, da imagem.
Assim, os cientistas precisam conhecer com detalhes e com precisão as forças químicas e físicas presentes e atuantes entre a ponta e a superfície - e lá vai outra camada de interpretação, melindrando quaisquer pretensões de certeza.
O que os cientistas fizeram agora foi tentar partir da situação mais simples possível, realizando os chamados cálculos de primeiros princípios, quando se parte de propriedades mais fundamentais e que podem ser certificadas com maior acurácia - sem nenhuma "certeza", obviamente.
![Os pesquisadores concluíram que os pontos brilhantes que aparecem nas imagens geradas pelo microscópio de varredura por tunelamento correspondem aos espaços vazios entre os átomos, e não aos próprios átomos. [Imagem: Ondrácek et al./PRL] Os pesquisadores concluíram que os pontos brilhantes que aparecem nas imagens geradas pelo microscópio de varredura por tunelamento correspondem aos espaços vazios entre os átomos, e não aos próprios átomos. [Imagem: Ondrácek et al./PRL]](http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010165110516-resolucao-atomica-2.jpg)
Espaços, e não átomos
Usando nanotubos de carbono e grafite, e uma ponta específica de microscópio, os pesquisadores concluíram que os pontos brilhantes que aparecem nas imagens geradas pelo microscópio de varredura por tunelamento correspondem aos espaços vazios entre os átomos, e não aos próprios átomos.
A diferença não é pequena, e pode impactar resultados de inúmeras pesquisas.
Por exemplo, o estudo de defeitos nografeno e em filmes finos, as promissoras interfaces entre materiais, que já são estudadas e exploradas em nível atômico, e até no campo dossemicondutores, cuja miniaturização constante exige que se trabalhe em escalas cada vez menores.
A pergunta que se coloca então é: os átomos individuais já foram de fato "vistos"?
Se esta nova interpretação estiver correta, a resposta é não: os átomos estariam nos espaços vazios entre os pontos brilhantes.
Como eles aparecerão numa futura imagem irá depender da avaliação dos diversos tipos de pontas usadas nos microscópios e dos softwares que traduzem as leituras do sensor em imagens mostradas na tela do computador - pontas que terão que ser refeitas com exigências mais estritas e softwares que terão de ser atualizados.
Outra pergunta a ser respondida é por que os espaços vazios aparecem como pontos.
Ou, outra possibilidade plausível, esperamos até que outra equipe de cientistas encontre falhas na demonstração agora publicada e diga para esquecermos este episódio e que, sim, já estávamos vendo os átomos individuais desde o início.
Bibliografia:
Forces and Currents in Carbon Nanostructures: Are We Imaging Atoms?
Martin Ondrácek, Pablo Pou, Vít Rozsíval, Cesar González, Pavel Jelínek, Rubén Pérez2
Physical Review Letters
Vol.: 106, 176101 (2011)
DOI: 10.1103/PhysRevLett.106.176101